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1 de janeiro de 2018

LIVRO - JESUS CHOROU

JESUS CHOROU

      Eu só conseguia enxergar as luzes da ambulância que e os olhos arregalados da paramédica monitorando meu coração. O barulho externo era evidente, a ambulância estava em alta velocidade, mas eu não ouvia nada, um silêncio, uma paz estava dentro de mim e em nenhum momento me vi desesperado. Será que Deus nos prepara para o momento da “virada”, quando passamos desta vida para outra? Pensei, calei.
     A paramédica olhava constantemente para os meus olhos e para os sinais dos aparelhos que estavam ligados por um monte de fios no meu peito. Quando chegamos ao pronto socorro existia uma equipe de médicos e enfermeiros me aguardando na recepção. Quanta honra! Pensei, lembrando que na minha vida eu nunca tinha perdido o senso de humor. Uma gritaria tomava conta dos profissionais que me atendiam. O corredor que ligava a entrada do pronto socorro até a sala de emergência era estreito e gelado e uma gritaria e correria dos profissionais era tão intensa que parecia que a dor era mais intensa neles do que em mim.
     - Vamos fazer a reversão elétrica! Disse um dos médicos que me atendia.
     - Anestesista, anestesista! Suplicava o médico.
     Em pensamento, pedia a todos que tivessem calma e, em silêncio, comecei a rezar. Um filme da minha infância passava constantemente na minha mente e eu me via segurando na mão da minha querida mãe. De uma hora para outra me senti como se estivesse levitando. Eles percebiam que eu acompanhava desde o início todos os “trabalhos”. O efeito da anestesia foi muito rápido e me senti no intervalo entre deitar-se numa cama e pegar no sono. Sentia frio e calor ao mesmo tempo e nos últimos segundos da minha lucidez tive a nítida impressão que do quadro que ficava no alto da parede da sala de emergência, Jesus olhava para mim com um semblante de quem estivesse pedindo calma, muita calma e paciência.
     Das ultimas vezes em que havia sido anestesiado, me via num sonho como se tivesse regredindo ao passado, à minha infância e de certo modo fiquei ansioso, pois sabia que iria rever os meus entes queridos. Se morrer significasse aquilo que eu estava sentindo, então eu estava tranquilo, pois não sentia dor alguma e eu estava numa paz de espírito tão grande que não via a hora de me encontrar com Jesus Cristo:
     - Como será que ele vai me receber?
     Logo na chegada vou dar-lhe um abraço bem forte e não vou esperar muito para perguntar sobre meu pai, minha mãe e minha filha, principalmente. Claro que vou querer ver todo mundo e também a minha avó que muitas vezes me livrou das chineladas da minha mãe. Eu estava num corredor estreito, iluminado por luzes amarelas e pelos raios do sol. Não tinha ninguém ao meu lado e fui descendo como se estivesse escorregando num tobogã. A descida terminou e cheguei num imenso jardim. O dia estava muito bonito, como nas manhãs de primavera e os bem-te-vis cantavam forte e davam voos rasantes entre uma árvore e outra. As árvores eram frutíferas, só que eu não conseguia distinguir quais frutas eram. Por vezes colocava a mão no meu peito que ardia como se eu estivesse pegando fogo. Era como se estivesse com um ferro de passar roupas grudado no meu peito. Ouvia vozes, não sabia de onde vinham...
     - Desfribilador, desfribilador!
     Alguém estava desesperado.
     De uma hora para outra, percebi que uma força me conduzia para algum lugar, não sabia onde, mas que era muito agradável estar ali. Eu vi o sol. Eu vi um lago de águas azuis cristalinas e não me contive e rolei no mato que tinha gosto de framboesa.
     - Onde está todo mundo? Indaguei a mim mesmo.
     - Onde está Jesus Cristo? Por que está demorando pra vir me buscar?
     Eu estava ansioso demais para dar-lhe um abraço bem forte e pedir para Ele me levar onde eu pudesse encontrar as pessoas que eu amo e que tinha muita saudade. De repente me vi sentado num lugar que parecia uma capela. Pensei que iria participar de alguma missa ou que eu teria que me confessar com algum padre antes de abraçar Jesus Cristo:
     - Seu padre, seu padre! Olha eu aqui!
     Ele fingiu que não me viu, não estava de batina. Estavam todos de branco e parecia mais com um médico do que um padre.
Aquele lugar parecia mais um hospital do que uma igreja. Resolvi sair daquele lugar e voltar onde eu podia ver o sol e os pássaros:
     - Vou procurar alguém para conversar. Pensei!
Resolvi dar um mergulho no lago. As águas estavam calmas. Antes de mergulhar consegui ver meu rosto refletido nas águas:
     - ? Esse sou eu?
     Eu parecia ter ficado bem mais jovem!
     Olhei para o meio do lago e vi uma menina nadando. Era muito pequenina, achei que ia se afogar e nadei até alcançá-la.
     - Quem é você?
     Ela não respondeu, mas sorria muito e a sua fisionomia não era estranha, mas não conseguia me lembrar de onde eu a conhecia.
     - Ei menina! Menininha! Você sabe onde posso me encontrar com Jesus?
     Ela não me respondeu, mas parecia que estava me levando para algum lugar. Nós saímos do lago e ela segurou na minha mão e passamos a percorrer por dentro do jardim. Os pássaros também ajudavam a menina a me guiar. De longe avistei um casal de velhinhos, pensei que fosse Jesus conversando com a avó daquela menininha. Ao me aproximar, a menina, como se fosse num passe de mágica, sumiu e o casal de velhinhos ficaram de costas para mim.
     - Ei meu senhor! Minha senhora! Vocês viram para onde foi uma menininha, assim, assim, pequenina?
     - Logo ela volta! Respondeu o velhinho!
     - Por acaso o senhor sabe como eu faço para me encontrar com Jesus?
     - ELE está entre nós! Respondeu a velhinha simpática!
     - A senhora se parece muito... Por acaso... Não, não...
     - Você precisa voltar menino! Completou o velhinho!
     - Olhem! Lá está a menininha! Eu vou brincar com ela! Tchau!
A menina então me chamou pelo nome. Ela estava falando! Eu sabia que a conhecia de algum lugar! Mas de onde?
     - Quem é você? Qual o seu nome? E ela então respondeu:
     - Você não queria se encontrar com ELE, Olha ELE aí!
As nuvens no céu estavam se movimentando rapidamente, de vez em quando as nuvens cobriam o brilho do sol e os pássaros estavam numa alegria tão grande que me deu até vontade de voar.
     Uma paz, uma tranquilidade tomava conta de mim e ao longe avistei o casal de velhinhos me dando adeus! Sentei-me num banco, no meio do jardim e vários pássaros ficaram ao meu redor. A menina apareceu pulando amarelinho e não parava de sorrir. Uma voz calma chamou-me pelo nome e disse que eu precisava voltar de onde vim e que sentiria muita saudade de mim, mas que ainda não era o momento de eu ficar ali, pois tinha muita coisa a fazer no lugar de onde vim. A voz vinha de bem perto de mim e de repente senti aquela voz embargada, soluçando, fraca, como a de alguém que estivesse muito, muito emocionado e ao me virar do banco do jardim em direção ao lago eu vi Jesus e ELE estava chorando!
     Jesus chorou a me ver sem as feridas, sem a expressão de sofrimento e com o coração batendo normalmente, o que representava a vida! Todos nós somos anjos prediletos de Jesus e quando nos curamos de algum mal por Sua interseção, por suas mãos sagradas de médico dos médicos, ELE chora, pois voltamos a viver com vigor! Jesus fica contente, se emociona, chora de alegria e contentamento, assim como nós!


     - Enfermeira, enfermeira! A reversão elétrica foi um sucesso! Ele voltou! Chame o Doutor! Os batimentos cardíacos e a pressão arterial estão normais e a fribrilação foi revertida. Vamos removê-lo para a UTI para um melhor monitoramento. Ele deve ficar em observação por quarenta e oito horas!

ANTONIO AUGGUSTO JOÃO

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