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2 de novembro de 2016

LIVRO - DÉJÀ VU

DÉJÀ VU
O barulho da chuva era como se fosse uma canção de ninar. Até o estrondo dos trovões era suave e deixava mais aconchegante o abraço na mulher amada, feito conchinha, com seus longos cabelos negros embaraçados na minha alma. Uma noite tranquila, onde os murmúrios eram prenúncio de carinho e amor sem fim, mordendo aquela pele morena e os lábios com gosto de mel. No rádio da cabeceira da cama estava tocando a mesma música do primeiro baile, quando nos conhecemos e trememos quando dançamos. No teto do quarto estava caindo pétalas de rosas vermelhas, tão macias quando a pele da mulher de olhos de ébano que dormia debruçada em meu peito. A madrugada foi serena, calma e branda como o cessar da chuva, trazendo o nascer do dia com o sol brilhando e iluminando o quarto ainda com marcas de amor. 
A casa toda ficou tomada e perfumada com o aroma do café que vinha da parte baixa, na cozinha, onde minha mãe preparava cuidadosamente o café da manhã, enquanto meu pai, ansioso, aguardava a primeira xícara, como sempre fez. Em suas mãos o jornal do dia, onde ele lia e criticava as questões políticas e as notícias de seu time de futebol!
- Ei filho! Vem ver o sol!
Para meu pai o sol era a prova da vida, de que Deus existia e ele o glorificava todas as manhãs para agradecer pela vida, pela oportunidade de abraçar e beijar minha mãe novamente e todos a quem ele sempre amou. 
Na sala de estar, sobre a mesa de jantar, ficavam as rosas que meu pai colhia no jardim, ainda molhadas pelo orvalho da madrugada e sem espinhos, pois a nossas vidas de luz não podiam ter espinhos, pois as sementes lançadas no chão fértil sempre produziram frutos com amor, paz, serenidade, bondade e caridade, como ensinou o Semeador. Os animais corriam de um lado para outro numa felicidade incrível e os passarinhos cantavam alegremente como se estivessem declamando versos emanados pela natureza que Deus criou. 
- Bênção pai, sua bênção minha mãe querida! 
O Semeador me ensinou a cultivar a terra, não deixar o amor crescer entre pedras e espinhos e dar valor às coisas que as vezes parecem simples, corriqueiras, mas sentiremos falta, se o tempo passar depressa demais e não nos desfrutarmos de cada momento onde o amor fica cravado em nossas almas e estampa o brilho em nosso olhar. Os olhos são espelhos da alma. 
- Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque Tu vai estar sempre comigo.
Sobre a proteção dos meus pais eu me via correndo de uma seringueira até o pé de bananeira, para balançar pra lá e pra cá enquanto meu pai empurrava o balanço e se preocupava para eu não cair. Na hora do almoço eu corria até a horta ao lado da minha mãe para ajudá-la a colher as folhas para o almoço. 
Eu sinto o cheiro dos almoços todos os dias da minha vida. O bife temperado com pimenta do reino e cebolas fritas, o gosto de bacon no feijão, na panela de pressão, e do gosto de alho no arroz branco como a neve. 
E ao descansar, após o almoço, vejo o filme com meu pai que se confunde comigo, tirando um cochilo no sofá da sala, recompensado, e minha mãe tirando a mesa e cantando sua música preferida, a mesma que sempre choro ao recordar.
Mas e o amor? As pétalas de rosas... A música predileta?
Quanto ao amor, o amor sentimentalidade, vivo ainda procurando-o no passado, sem o encontrar. Os jantares à luz de velas, as juras de amor e os abraços ficaram perdidos no tempo, nos devaneios, nas alucinações e desilusões. Ainda bem que dei valor a todos os detalhes, não gravei os momentos no álbum de fotografias, mas sim na minha memória, forte, tão viva, revivida ao recordar com amor e saudade meu pai e minha mãe... Vê-los a todo o momento como um Déjà Vu. 
A chuva caiu novamente, em várias noites, em vários dias, em vários momentos da minha vida. O quarto sempre esteve escuro, a música foi uma ideia da minha imaginação, assim como a chuva de pétalas de rosas que acabaram como enxurrada de desilusão em minha existência. A mulher, o amor da minha vida, nem sei se existiu ou se teve os cabelos longos, entrelaçados em minha alma e não tenho certeza que seus olhos eram mesmo de ébano. Acredito sim que o amor que sempre sonhei foi um lirismo poético, uma fantasia, uma alucinação de um amor que eu nunca tive.
TRECHO DO LIVRO

LIVRO - O SEMEADOR, AS SEMENTES E A TERRA

PARA TODO O SEMPRE
José e Maria estavam casados fazia sessenta anos. Não houve festa para comemorarem tamanho tempo de união e cumplicidade, pois os filhos e netos estavam distantes, alguns espalhados pelo mundo, que havia muito tempo que não se comunicavam com os pais. José e Maria não se preocupavam com isso. Religiosos, acreditavam que cumpriram suas missões com os filhos, bem criados, educados, todos formados, bem de vida e que apesar de esquecerem-se dos pais, isso não lhes parecia uma desilusão. José e Maria se conheceram quando tinham quinze anos e logo se apaixonaram. Naquela época era normal se casarem antes dos vinte anos, mas José e Maria esperaram completarem vinte anos e se casaram. Os filhos vieram numa sequência de um ano cada até chegar ao sexto. Quatro homens e duas mulheres. Planejaram o sétimo antes de fechar a fábrica, mas Maria teve um aborto espontâneo e perderam a criança. José e Maria sempre estiveram juntos, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença e o amor nunca se ausentou de suas vidas. José dizia que não suportaria viver sem Maria o confortava que um dia iriam morrer e um iria morrer antes do outro, mas que se encontrariam e viveriam felizes por toda a eternidade. José sempre falava em morte, o que não contentava Maria, que dizia a ele que a morte não existia e sim a vida plena, após encerrarem o ciclo desta vida. Maria dizia a Jose que o que chamavam de morte, na verdade era a vida eterna, onde não existiriam mais as dores e somente o amor imperaria. Todas as noites antes de dormir, José se despedia de Maria com um beijo, como se fosse o último, como se fosse a última vez que daria um beijo em sua eterna amada e dizia que sentia muito medo de fechar os olhos e não abri-los mais, mão ver o sol nascer na manhã seguinte.
Se eu morrer antes de você, faça-me um favor: Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam.
Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase: Foi meu verdadeiro amor, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus! Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal. Irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, o amor que aqui nos preparou para Ele. 
Você acredita nessas coisas? Então ore para que nós vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amar só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Mas, se eu morrer antes de você, acho que não vou estranhar o céu. Ser seu marido... Já é um pedaço dele...
Numa noite de inverno, antes de dormir, José estava impaciente. Tomou um chá bem quente, colocou a velha meia furada, mas que ainda esquentava seus pés e se deitou antes de Maria. Durante a noite José não se levantou nenhuma vez, não roncou, não pediu para Maria ir pegar água na cozinha e nem reclamou que a luz do abajur ficara acesa. Maria estranhou tudo aquilo, mas estava cansada e dormiu. Quando despertou estava amanhecendo o dia e como sempre se levantou para preparar o café para seu marido. Maria fazia questão, pois José se animava ao sentir o aroma do café espalhando pela casa. Porém, José continuou quieto e sem se mexer na cama. Estava muito frio, José estava bem enrolado nos cobertores e Maria não quis acordá-lo antes de preparar o café.
- Querido! Acorda! O café já está pronto e suas torradas também! Venha meu amor! Levante!
Maria cuidava de tudo com muito carinho e amor e ficava muito feliz ao ver o sorriso estampado no rosto do amado marido quando se sentava à mesa todas as manhãs para tomar o café. Mas algo estava errado. José não respondia aos pedidos carinhosos de sua esposa e então Maria resolveu chamá-lo se perto. Sento-se ao lado na cabeceira da cama, acariciou os cabelos brancos do marido e sussurrou em seu ouvido:
- Acorda meu amor!
José novamente não respondeu e Maria então o acariciando, colocou a mão em sua face e percebeu que José estava gelado. Também, estava muito frio - Pensou Maria. Os lábios de José estavam rachados e o corpo muito enrijecido, quando Maria segurou firme em seu pulso e colocou o ouvido no coração de José:
José estava morto.
- Meu Deus! Exclamou Maria. 
- Querido! Fale comigo! O café está à mesa e eu fiz tudo como você gosta! Não me deixe, por favor! Você me prometeu! Não me deixe!
Maria ameaçou entrar em desespero, mas respirou fundo e pensou em tudo que passaram juntos durantes sessenta anos de cumplicidade, amor, tristezas e alegrias e resolveu não chorar. É claro que algumas lágrimas escorreram, afinal é difícil aceitar a perda, a ausência e os sintomas da saudade.
Quando o resgate chegou para levar o corpo de José para o Instituto Médico Legal, alguns amigos ficaram para consolar Maria. Dos filhos, dois não puderam comparecer ao velório, pois estavam fora país, num local muito distante. Durante o velório Maria procurou não demonstrar tristeza. Dizia aos mais íntimos que a vida com José tinha sido muito mais de alegrias do que tristezas e que o amado marido não gostaria de vê-la triste, emburrada pelos cantos, sofrendo e depressiva. 
José dizia em vida que caso morresse antes da esposa querida, queria que ela lembrasse apenas das recordações em que foram felizes e que ela podia chorar um pouquinho por sua ausência e saudade... Só um pouquinho. 
Depois do sepultamento, Maria nem teve o privilégio de ser amparada pelos filhos presentes. Talvez as sementes não fossem bem cultivadas por eles, tornando-os frios, ausentes, que nem mesmo tiveram a iniciativa de amparar a mãe em uma de suas residências. Maria não se desesperou pela falta de carinho dos filhos e tomou uma decisão que abalou aos amigos mais íntimos: 
- Vou viver num asilo! 
Ao deixar a casa em que viveu por mais de quarenta anos ao lado do marido falecido, Maria não estava desanimada. Estava contente e animada, pois tinha muitos planos que poria em prática no asilo. Enquanto tudo estava sendo preparado para a mudança, Maria ainda teve o desprazer de ver os filhos brigando pela posse da casa, mas preferiu seguir sua vida, seus desejos e por que não dizer seus sonhos, apesar dos oitenta e sete anos de idade. Maria em sua nova jornada pensou em adubar mais a terra onde as suas sementes seriam lançadas, para não ter que ser perdoada pelo semeador por não cuidar bem da terra.
- Às vezes, mesmo tendo as melhores sementes, cuidando para não crescerem entre as pedras e os espinhos, os frutos podem se desvirtuarem se a terra não for bem cuidada ou se infestarem das pragas que estão sempre prontas a querer nos infestar.
Quando chegou ao asilo, Maria encontrou um ambiente sombrio. As pessoas passavam a maior parte do tempo deitadas ou sentadas, assistindo televisão. Para quem pensava que Maria fosse se “esconder” dentro do asilo, ser esquecida, ficar sentada o dia inteiro numa poltrona, com a boca escancarada, sem dentes e esperando a morte chegar, muito se enganaram:
Maria levou consigo livros, revistas, discos, e distribuiu para todos no asilo. Para os quais não tinham condições de ler, ela mesmo lia, para os deficientes visuais, ela contemplava a natureza, as cores e a vida com suas poesias, suas histórias de vida voltada para a alegria e contentamento. Montou uma equipe de velhinhos que construíram um jardim e plantaram flores e plantas coloridas, montou um grupo de oração.
Estava a todo o momento sorrindo, elevando o astral daqueles que estavam deprimidos e quando choravam era por tanta alegria. Depois de dez anos no asilo, Maria morreu. Neste tempo todo deu para contar na palma das duas mãos quantas vezes recebeu a visita de algum dos filhos. Mesmo assim, Maria não morreu triste. Morreu sorrindo como fora seu marido José, morreu dormindo, também como seu marido e o sorriso estampado em seu rosto como ultima fotografia na face da terra, provou que iria casar de novo, reencontrar o seu grande amor José e viverem felizes para toda a eternidade.
- Talvez, o que chamamos de morte nada mais pode ser do que a nossa melhor vida, a vida eterna!
TRECHO DO LIVRO

LIVRO - PECADOS - VOLUME II

O SOVINA
Dona Maria Isabel sempre foi uma senhora muito bem quista naquele bairro. De uma humildade ímpar, ajudava a todos, dentro de suas possibilidades. Além disso, era sempre chamada pelo padre da paróquia do bairro para ajudar a arrecadar prendas e organizar as festas promovidas pela igreja, com o intuito de angariar fundos para ajudar famílias carentes. Viúva, tinha dois filhos: Eduardo e Monica. Monica foi embora cedo de casa. Aos dezoito anos, encontrou o amor de sua vida, homem vinte e sete anos mais velho, milionário, que a levou para morar em outro país. Eduardo sempre foi um boa vida que ficava pulando de galho em galho e cuidando da vida dos outros. Não ajudava a mãe em nada, e ainda atrapalhava. Fofoqueiro, vivia deixando contas penduradas no bar onde bebia sua cervejinha todo final de tarde, mesmo tendo dinheiro para pagar seu consumo. Para ele, todo mundo estava errado e ele sempre certo. Adepto da "Lei de Gerson", se considerava o cara mais esperto do mundo. Casado com Vera, Eduardo tinha um casal de filhos: Tiago de cinco anos e Débora de três, a quem não dava à mínima, não se preocupava em passear com as crianças para não gastar dinheiro. Era Dona Maria Isabel quem comprava roupas para as crianças e a renda com que Vera recebia, gastava com as despesas da casa. Eduardo dizia a Vera que sua renda era para ser guardada e garantir o futuro da família, mas na verdade, Eduardo fazia de tudo para aumentar sua renda, agindo, inclusive, como agiota na empresa onde trabalhava e com os amigos do bairro. Eduardo trabalhava na administração de uma grande loja de produtos de informática e na hierarquia do escritório era o nível quatro. Respeitador da hierarquia, porém ambicioso, distinguia as pessoas por suas posses. Exemplo: Se um colega tinha o carro mais novo e melhor do que o dele, ele respeitava, porém ambicionava e fazia de tudo para conseguir ter o carro melhor, nem que fosse igual ao do seu oponente. Se o colega tinha faculdade e ele não, respeitava, se colocava abaixo, mas ambicionava ter o melhor conhecimento para poder "ganhar" na discussão sobre os assuntos inerentes à sua atividade profissional, respaldado pelo melhor conhecimento e experiência.
Nas reuniões com os colegas e quando participava dos happy hours, não tirava do bolso nenhum tostão para dividir as despesas. Não pagava nem o cafezinho para os amigos. Vivia sempre na cola de alguém. Na convivência do trabalho, conheceu Sílvia, bem mais nova do que ele, que se apaixonou. Coitada. Eduardo pensou - Sílvia poderia lhe dar algo que sua esposa Vera não podia mais: Juventude na cama, presença, e dinheiro. Sílvia era uma gostosona e na cabeça de Eduardo o que se passava é que em todo lugar que fosse ele seria aclamado por ser um “homem de sorte”, por estar ao lado de uma bela mulher. Sílvia trabalhava por "esporte", para não ficar à toa, pois não gostava de estudar. Seu pai era um rico empresário e com todos os "atributos" que Sílvia pode lhe proporcionar, inclusive o dinheiro, Eduardo abandonou Vera e os dois filhos, como se tivesse tomado à decisão de trocar uma camisa e foi viver com Sílvia, a gostosona rica, tudo pela ganância, pois não a amava. E quando Sílvia ficou perdidamente apaixonada por Eduardo, ele, na faculdade, conheceu Cecília, mais rica e inteligente, e abandonou Sílvia, porque Cecília podia ajudá-lo e muito nos estudos e era mais gostosa que Sílvia. Os amigos ficavam impressionados, tentando entender, pois afinal Eduardo não era nenhum príncipe encantado: Feio, mal vestido, gago... Os amigos não entendiam como ele conseguia conquistar tantas mulheres bonitas e ricas. Não dava para entender. Eduardo tinha um grande amigo de infância, proprietário de uma grande revenda de automóveis e com isso, Eduardo, sempre na cola do amigo para tentar levar alguma vantagem, trocava seus carros para poder ficar melhor na fita que seus "concorrentes". Pagava a primeira prestação do financiamento e depois não pagava mais, até que o amigo tomava-lhe o carro, assumia a dívida, mas facilitava a compra de outro carro, às vezes até melhor que o anterior. 
- Afinal, amigo é pra essas coisas! Dizia Eduardo, o sovina.
Depois de um tempo, Eduardo se formou e subiu um degrau no cargo profissional. Não ficou contente. Ambicioso, queria ficar no mesmo nível do chefe. Entretanto, para conquistar o que ambicionava, não media as consequências e se fosse preciso passava por cima de quem estivesse à sua frente. Como não conseguiu conquistar o lugar do chefe, resolveu ir embora, trabalhar como chefe numa outra empresa. Enquanto isso Cecília lhe propunha casamento a todo o momento. Cecília estava perdidamente apaixonada por Eduardo (vai entender), o Don Juan sovina que estava interessado “apenas” no dinheiro dela. 
Enquanto Cecília ficou prestes a cometer uma “loucura” para não perder seu príncipe encantado, sovina, Eduardo estava envolvido com a dona da nova empresa, Josefa, trinta anos mais velha, que estava viúva pela quinta vez. Pela primeira vez na vida o dinheiro não ficou à frente dos desejos de Eduardo. Apesar de muito rica, no conceito de Eduardo Josefa estava “acabada”, e com certeza ele não passearia no shopping de mãos dadas com ela:
- Já pensou se algum amigo nos vir?
Eduardo, que relutou, relutou... Queria uma menininha rica, gostosa, para marcar presença e fazer inveja aos amigos. Josefa, bem mais velha e feia (na opinião do sovina), poderia sacramentar a ambição de Eduardo que era a de ter muito dinheiro à sua disposição. Eduardo pagava pensão para Vera e vivia numa briga infernal com Sílvia e Cecília que não se conformavam em perder o Don Juan. Eduardo escolheu Josefa. Escolheu o dinheiro e a vida fácil, enquanto Josefa passou a se sentir a verdadeira rainha. As outras mulheres passaram a odiar o sovina, que nunca se importou. Porém, a vida dá voltas e sempre o melhor juízo é o de não cuspir no prato que comeu, como diz o ditado. Eduardo chegou até ser detido por não pagar a pensão de seus filhos, por quem nem ligava e nem queria saber como estavam. Eduardo não pagava a pensão porque sabia que Vera, orgulhosa, não iria cobrá-lo, mas se enganou e foi em cana. Ficou algumas horas na delegacia até pagar os atrasados e ser liberado. Passou-se um tempo e Josefa acabou por conhecer a verdadeira face do sovina. Mulher experiente, madura, vivida, já tinha enterrado cinco maridos e não se deixou envolver-se apenas pela paixão avassaladora que teve pelo Don Juan (vai entender) e acabou por dar um ponta pé na bunda do sovina. 
- Sinceramente não sei explicar porque tantas mulheres caem na lábia desse tal Eduardo. Dizia um colega de trabalho.
O tempo passou e Eduardo acabou por montar uma empresa particular. Apesar de tudo, era um profissional competente e quando se casou com Soraia, sua gerente, achou que finalmente tinha encontrado o seu verdadeiro amor (vai entender). Soraia era mais jovem do que ele, mas sabia o que queria da vida. Eduardo deixava todos os afazeres da empresa em suas mãos e saía com várias mulheres, traindo Soraia que fingia que não sabia de nada. Eduardo se achava o cara mais esperto do mundo e nem imaginou que Soraia poderia arquitetar aquele plano para pegá-lo em flagrante. Por fim, Soraia o pegou em adultério, arrancou todo dinheiro possível e ainda ficou com a empresa, já que os clientes nem sabiam que Eduardo existia. Eduardo, o sovina, voltou a morar na casa da mãe. Foi detido várias vezes por não pagar pensão alimentícia e sempre foi Dona Maria Isabel quem tinha que correr e pagar os atrasados para libertar o filho querido. Ela tratou bem das sementes, mas os frutos foram contaminados pela ganância. Eduardo continuou cuidando da vida dos outros, querendo ser o melhor e o mais esperto que todos e procurando levar vantagem em tudo. Numa tarde de sábado, bebendo cerveja numa mesa de bar, Eduardo conheceu Teresa... Foi amor à primeira vista e ...
TRECHO DO LIVRO