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3 de setembro de 2016

LIVRO - ALGUMAS CRÔNICAS - VOL. II

PALHAÇO

    Miguel, um adolescente que ficava fazendo malabarismo no cruzamento de duas importantes avenidas da cidade. Usava latas de leite e laranjas e ganhava uns trocados para que pudesse almoçar e jantar, matar sua fome, pois não tinha casa, vivia na rua depois que o pai morreu assassinado e a mãe ele nem sabia dizer, mas que estava perdida no mundo das drogas.
    Quando chegava o inverno, o menino se refugiava nos abrigos para não morrer de frio na rua. Miguel era um rapaz de fisionomia triste e além disso enfrentava o preconceito de ser um morador de rua, mas acreditou que sua vida poderia melhorar quando aquele circo se instalou perto das avenidas onde ele ficava.
    Miguel acompanhou toda a montagem do circo: Da armação até lançarem a lona e um painel luminoso com o nome do circo. Ficou assustado quando viu os animais, sendo alguns só ter visto na televisão. Quando tudo ficou pronto, Miguel se imaginou trabalhando no circo, fazendo seus malabarismos e entretendo o público!
    - Respeitável público! Com vocês o malabarista Miguel!
    Miguel chegou a sonhar com isso, a ser anunciado para um espetáculo circense, onde pudesse mostrar o seu trabalho. Naquela tarde de feriado, Miguel não havia conseguido os trocados necessários se alimentar. Resolveu que iria pedir a alguém que pudesse ajudá-lo a matar sua fome.
    À sua frente um enorme painel com letreiros luminosos chamando o público para o espetáculo circense da sessão das oito. Com os poucos trocados que havia conseguido, não dava para comprar o ingresso.
    O público começou a chegar para o espetáculo e as arquibancadas do circo começaram a lotar. Miguel ficou próximo à bilheteria com alguns trocados na mão, imaginado como conseguiria comprar seu ticket. Inesperadamente, surgiu ao seu lado uma linda garota. Miguel ficou sem jeito. Pensou que mais uma vez seria discriminado e abaixou a cabeça:
    - Por que ages assim meu rapaz?
    Miguel não respondeu. Ficou envergonhado.
    - Queres assistir ao espetáculo?
    Miguel respondeu que sim e ameaçou um sorriso.
    - Venha como!
    A garota pegou na mão de Miguel e juntos passaram pela bilheteria e entraram sem pagar.
    A garota, de nome Serena, era trabalhava no circo como trapezista e naquela noite não participaria do espetáculo, pois estava se curando de uma lesão na perna. Serena ficou ao lado de Miguel durante todo o tempo do espetáculo. Comeram cachorro quente juntos, se divertiram com o espetáculo é no final, mesmo gaguejando, Miguel agradeceu timidamente, até escorrer uma lágrima dos olhos ainda vibrantes pelo espetáculo que acabara de ter assistido.
    - Qual o seu sonho? Perguntou Serena a Miguel.
    - Eu sou malabarista. Moro na rua, fico fazendo meus números no cruzamento e ganho alguns trocados para sobreviver.
    Serena se sensibilizou com a sinceridade de Miguel e pediu que no dia seguinte ele viesse bem cedo ao circo, pois tentaria encaixa-lo num número de malabarista!
    Miguel agradeceu mais uma vez a Serena e saiu correndo, pulando de alegria pela oportunidade de trabalho que poderia surgir em sua vida. Naquela noite nem dormiu. Tentou uma vaga do abrigo, pois estava frio. Como não conseguiu, ficou vagando pelas ruas, treinando com seus malabares para que ao amanhecer pudesse voltar ao circo preparado para demonstrar suas habilidades.
    E quando a manhã chegou, Serena o esperava no circo. Miguel estava faminto e Serena percebeu. Antes da entrevista com o gerente, Serena serviu-lhe leite com café e pão com manteiga. Emprestou-lhe um agasalho e assim Miguel se deparou com o gerente:
    - O que você sabe fazer meu rapaz?
    - Eu faço malabarismo!
    Miguel demonstrou suas habilidades para convencer o gerente a contratá-lo. Enquanto fazia sua demonstração, via Serena em cima do trapézio, ensaiando seu número para o espetáculo da noite, quando foi surpreendido com um pedido do gerente: - Meu rapaz, vejo que você tem boas habilidades, mas queria lhe fazer uma contra proposta: Você aceitaria ensaiar um número para participar do espetáculo como palhaço?
    Miguel não pensou duas vezes. Miguel nunca tinha trabalhado como palhaço, mas não importava. O que ele precisava era de uma chance, nem que fosse para colocar a cabeça dentro da boca do leão.
    Serena viu de longe a felicidade de Miguel:
    - Quando você pode começar a ensaiar?
    Miguel respondeu que podia começar imediatamente e assim foi feito. Por ironia do destino, existia outros dois palhaços no circo, mas não faziam as pessoas rirem e Miguel percebeu que teria que ser criativo, mostrar algo novo e principalmente fazer as pessoas rirem.
    E chegou o grande dia!
    - Respeitável público!  Com vocês o palhaço carequinha!
    Miguel entrou em cena. Logo de início tropeçou e caiu fazendo o público rir, ainda mais com a ilustração de uma explosão de bomba e suas calças caindo, mostrando a ceroula de bolinhas. Fazia uma voz característica de criança, imitava animais e fazia brincadeiras com a plateia.
    O público morreu de rir, principalmente as crianças que tinham medo dos outros palhaços. Em cada olhar que Miguel via na plateia, lembrava-se daqueles que o questionavam na vida e foi como se Miguel estivesse dando uma resposta: Eu sou capaz!
    O espetáculo foi um sucesso! Miguel começou a trabalhar efetivamente no circo: Tinha um lugar para morar, um quarto para dormir, refeição quando quisesse e ainda tinha um salário. Viajou o mundo com o circo, casou-se com Serena e viveram felizes para sempre!

      - Às vezes, o que precisamos na vida é só uma oportunidade, mesmo que essa oportunidade seja completamente diferente daquilo que você está acostumado a fazer. Temos que ser sempre criativos! A vida é criativa!
 
    "Ainda que eu andasse só e desencorajado da minha vida em descompasso, não pagarei de Palhaço, mesmo caído no chão. Fugiu de mim toda alegria, sobraram tristezas, mágoas – Agonia. Não vou ficar na tua mira – Bala de Canhão. Estive sorrindo de desgosto, veja as marcas do meu rosto, pintadas de solidão. E quando a minha mágoa passar [vai passar],  mudarei o meu semblante e nada mais será como antes. Vida de desgosto, eu te mandarei um terno abraço, agora sim - Eu sou Palhaço! Eu voltei a sorrir.”


 TRECHO DO LIVRO

LIVRO - AMOR EM PEDAÇOS

AMOR EM PEDAÇOS

- Juninho! Venha aqui meu filho! Vem pegar o dinheiro para comprar o pão!
Todos os dias pela manhã minha mãe pedia para ir buscar o pão. Ela sabia o horário certo que o Seu Manuel da padaria fazia os pães e pedia para eu ir de bicicleta, e os comprava ainda bem quente. Eu ia numa vula até a padaria e quando voltava minha mãe já havia preparado o café com leite. Minha mãe deixava tudo pronto. Depois do café eu lavava a louça enquanto minha mãe se preparava para ir trabalhar.
- Tchau mãe! Bom dia e bom trabalho!
- Juízo menino! Não vai se atrasar para ir à escola.
Minha mãe trabalhava no supermercado da cidade. Saía de casa às dez e voltava às sete horas da noite. Logo que minha mãe saía para trabalhar, eu ficava no campo a jogar futebol com os amigos e em seguida voltava para casa, tomava banho e me arrumava para ir à escola. Minha mãe deixava meu almoço pronto e eu somente esquentava. Em seguida, pegava minha bicicleta e ia para a escola. No caminho, sempre parava na ponte. Encostava a bicicleta e ficava jogando pedrinhas no rio. De cima da ponte via as pedrinhas afundando no rio e fazia um pedido, conforme minha mãe tinha me ensinado. Eu pedia para Deus proteger minha mãe. Meu pai morreu quando eu nasci. Minha mãe nunca deixou faltar nada e o meu amor por ela sempre foi infinito. Eu chegava à escola sempre trinta minutos antes do início das aulas. Ficava na classe lendo as matérias dos livros que a professora iria comentar no dia. Minha mãe me ensinou que se estudasse a matéria antes, seria mais fácil de compreender quando a professora fosse transmitir aos alunos.
A prova de português estava bem difícil. Era a última do bimestre. Depois entraríamos em férias. Graças a minha mãe, que sempre fazia as lições de casa comigo, conseguia sair bem nas provas:
- Qual é a resposta da questão número cinco?
Uma voz bem baixinha, de menina, atrás de mim, pediu a resposta da questão cinco - Uma voz doce, que chegava aos meus ouvidos come se fosse uma canção romântica. Era a voz de Isabel. Isabel estava me pedindo uma cola da questão número cinco. Deixei meu lápis cair duas vezes no chão, o que indicava alternativa B. Terminei a prova, pegue minha bicicleta e fui embora pra casa, sem antes passar na padaria do Seu Manuel para comprar os pães para o café da tarde. O seu Manuel sempre estava com um sorriso largo no rosto e todo mundo gostava dele.
- Seu Manuel, posso pegar um doce de leite?
Eu pegava tudo que queria na padaria, sem exagerar. O Seu Manuel anotava tudo numa caderneta é no final do mês minha mãe pagava.
No dia seguinte eu estaria em férias. Minha mãe faltou no trabalho pela manhã, pois houve reunião de pais e mestres e entrega dos boletins do bimestre.
- Tranquilo mãe! Só vai ter verde no boletim!
Minha mãe sabia que eu era um aluno esforçado e nunca precisou chamar minha atenção para estudar. Enquanto minha mãe participava da reunião, fui até a ponte para jogar pedrinhas no rio. Joguei as pedrinhas, fiz vários pedidos e agradeci Deus por ter tido mais um bimestre de bons resultados na escola.
- Muito obrigada!
Era Isabel.
- Eu sabia que te encontraria na ponte. Você passa aqui todos os dias?
- Venho na ponte para pedir e agradecer a Deus, jogando pedrinhas no rio.
Isabel me agradeceu pela cola que eu tinha lhe passado na prova de português. Naquele dia conversamos bastante e demos muitas risadas. Depois daquele dia começamos a nos encontrar todos os dias na ponte, até o dia do primeiro beijo. Assim que beijei Isabel, joguei uma pedrinha no rio e pedi a Deus que a sensação que tive durasse para sempre. Isabel sempre foi meiga, doce e carinhosa. Todos diziam que um completava o outro. A minha mãe ficou muito amiga da mãe dela e estávamos todos felizes naquela época.
Eu sempre fui romântico. Encontrava-me com Isabel todo fim de tarde na ponte. Ela chegava primeiro. Estacionava sua bicicleta e ficava olhando para o rio de cima da ponte. Na verdade eu me atrasava de propósito, pois passava pelo jardim da Dona Odete e colhia uma rosa para dar a Isabel. Quando estava em casa sozinho, pegava um caderno e escrevia cartas para Isabel. Ela adorava e respondia. Certa vez minha mãe pegou o caderno e leu o que eu escrevia para Isabel e me disse que um dia eu poderia escrever um livro que poderia se chamar Amor em Pedaços, pois as cartas contavam pedaço por pedaço as aventuras de amor que eu tinha com Isabel.
As aulas reiniciaram e Isabel passou a ir todos os dias de bicicleta. Encontrávamos na ponte, jogávamos algumas pedrinhas no rio, fazíamos nossos pedidos e depois rumávamos para a escola.
- Qual foi seu pedido hoje? Perguntou Isabel.
- Pedi que nosso amor dure para sempre!
- Eu também!
No dia seguinte fui até a cidade com minha mãe. Não fui à escola. Tinha que passar no dentista para fazer um tratamento. Combinei com Isabel para nos encontrarmos na ponte à tarde, depois que terminasse as aulas. Minha mãe prometeu fazer um café da tarde para nós. Quando me despedi de Isabel senti um frio na barriga, os olhos dela estavam brilhando como se fosse uma estrela e no abraço apertado que demos, senti come se estivéssemos com os pés fora do chão. ... Voando!
Depois do dentista, cheguei afobado para encontrar Isabel.
- Calma menino! Sua namorada não vai fugir!
Fui até a ponte para me encontrar com Isabel.
Depois passaríamos no seu Manuel para pegar os pães e iríamos para minha casa. Cheguei à ponte e não vi Isabel. Achei que estava adiantado para o encontro. Fui até o jardim da Dona Odete e apanhei uma rosa. Voltei para a ponte, mas Isabel não havia chegado. Joguei uma pedrinha no rio e pedi que ela chegasse logo, mas não chegou. Então fui para casa, pois os pães estavam esfriando e minha mãe ia ficar brava comigo. Peguei minha bicicleta e rumei para casa. Quando passei pela avenida principal encontrei uma multidão e um carro virado na contramão. Achei estranho, pois vi minha mãe no meio da multidão. Fui me aproximando e vi que tinha ocorrido um acidente e tinha um corpo estendido no chão.
- Ela foi atropelada! Ela foi atropelada!
Minha mãe me olhou com os olhos arregalados.
- O que a mãe de Isabel está fazendo caída no chão?
Minha mãe arregalou os olhos novamente na minha direção. Olhei para o chão e vi a bicicleta de Isabel, retorcida, moída e seu corpo estirado no chão. Isabel estava morta e sua mãe estava chorando e cortando seus longos cabelos. Foi atropelada enquanto estava indo ao meu encontro. Um carro na contramão a pegou em cheio. Eu nunca tive convivido com uma perda. Quando meu pai morreu eu era um recém-nascido, tinhas meses, não tive sentimentos, não tive reação. Fui até o corpo de Isabel e a chamei. Ela não respondeu e não abriu os olhos. Eu peguei minha bicicleta e sai correndo. Minha mãe tentou me segurar, mas não conseguiu. Fui até a ponte e peguei todas e quantas pedrinhas que coubessem em minhas mãos e atirei no rio:
- Deus, traga o meu amor de volta. Faça com que ela se levante e abra os olhos! O café da tarde vai esfriar. Minha vida é como um rio e vou aproveitar cada dia dela. Agora estou sozinho, mas o tempo passa rápido demais e Deus vai trazer o meu amor de volta. Oh meu Senhor, meu Deus, traga o meu amor de volta e a minha dor desaparecerá! Não espere mais, traga o meu amor de volta e faça a minha dor desaparecer... Meu amor, se eu pudesse fazer você voltar te diria uma só palavra: Eu te amo! Entre luzes que iluminam estradas e paisagens com cores de arco-íris, reviveremos todos os nossos sonhos e os momentos de ternura que a vida nos proporcionou e que ainda vai nos proporcionar para a eternidade. Não ficarei mais um só segundo sem abraçar você, sem segurar a sua mão quando você tiver medo e te fazer dormir quando você estiver com medo dos trovões e das tempestades. Mar de risos e ouro dos céus: Ali eu viverei cada dia da minha vida! Quando o amor está longe, o tempo não faz planos e peço: Oh meu senhor! Meu Deus! Traga o meu amor de volta e faça a minha dor desaparecer.
Isabel foi enterrada num caixão branco coberto de flores e assisti de longe vendo sua mãe segurando seus cabelos, cortados para recordar. Foi muito difícil retomar a vida sem Isabel. Fiquei alguns dias sem ir à ponte até que minha mãe me levou um dia. Jogamos pétalas de rosas ao invés de pedras, das mesmas rosas que eu colhia do quintal da Dona Odete, com sua autorização. No último ano do ginásio, ao invés de participar da festa resolvi participar do concurso literário. Aos participantes foi designado escrever um livro de romance e fui o vencedor. O Livro se chamou Amor em Pedaços e nele estava escrito às cartas de amor que escrevi para Isabel e as que ela escreveu para mim. Depois da cerimônia de premiação peguei minha bicicleta e fui para a ponte. Desci até a beira do rio e lancei nas águas cada página do livro, junto com uma pedra, e as vi navegar para algum lugar, onde Isabel pudesse estar. E ao lançar a última página, onde estava escrito "fim", surgiu das águas um anjo encantador, de cabelos compridos, de olhos brilhantes como estrelas, no rosto de Isabel. Tentei nadar para me aproximar, mas a correnteza impediu que eu chagasse. Ainda tive tempo de acenar, acenar para Isabel que se perdeu nas águas límpidas do rio, enquanto minha mãe me chamava para ir buscar o pão na padaria do Seu Manuel. E ao passar na ponte sobre o rio, encontrei um papel rasgado - voando, uma carta borrada, molhada pelas águas do rio:

“Nas águas escuras desse rio existem os ‘restos mortais’ das cartas que eu escrevi pra você e você escreveu pra mim. Falam sobre amor e ternura... Carinho e devoção. E nas correntezas das águas escuras, Amor em Pedaços são papéis rasgados, borrados de lágrimas, feridos, perdidos da mesma forma que eu me perdi de você e você se perdeu de mim. Papéis borrados de lágrimas não sangram no peito, mas se desfazem com a força da correnteza e dos ventos. Papéis borrados de lágrimas não se ferem em espinhos e não sentem dor se o calor da paixão ainda existir, por menor que seja, pra secar as feridas, formar novamente as palavras sinceras das cartas poéticas que sempre escrevi sobre o nosso amor. Papéis borrados de lágrimas não têm alma. Mas têm coração! E podem ressuscitar a cada manhã, todo dia, mesmo feridos, mesmo rasgados, mesmo encharcados de águas escuras, manchados pela saudade, pois não se cansam de morrer de amor!”
TRECHO DO LIVRO

LIVRO - SIMPLESMENTE AMOR

SIMPLESMENTE AMOR

       Se fosse a tempos passados, Bryan não teria a mesma acessibilidade que os dias atuais proporcionam. O acidente sofrido há três anos ainda lhe proporcionava traumas, além de ter tido a desagradável notícia de ter que ficar para o resto da vida numa cadeira de rodas. Bryan custou a se convencer que sua vida dali por diante sofreria uma adaptação. O inconformismo o impediu de se adaptar mais rápido. Teve sessões de terapia e fisioterapia para respectivamente tirar o trauma do acidente e tentar recuperar os movimentos das pernas. Somente no último ano se dedicou fielmente a se recuperar e iniciar uma nova vida com as adaptações necessárias. Hoje em dia Bryan faz noventa por cento de suas atividades independentemente da ajuda de outras pessoas, inclusive o carro adaptável que usa para sair e trabalhar no cartório de sua cidade como escrevente. Bryan tinha uma rotina diária muito completa. Pela manhã fazia fisioterapia e natação, depois ia para o trabalho dirigindo seu carro adaptado. Na hora do almoço gostava de descansar numa praça que tinha em frente ao cartório e nos momentos de descanso, relaxava e gostava muito de ler livros de autoajuda.  À tarde, quando terminava seu período de trabalho no cartório, Bryan tinha, de dois em dois dias, sessões de terapia que o fazia se sentir muito bem. No começo da noite chegava em casa e gostava muito de ouvir música clássica e assistir filmes de suspense, principalmente os de Brian de Palma e Alfred Hitchcock. Foi num dia de verão quando Bryan, após o almoço, dirigiu-se até a praça para começar a ler o livro Janela Indiscreta. Bryan estava muito feliz àquela época. Ao seu lado, sentou-se uma mulher. Bem vestida, cabelos longos com uma leve maquiagem:
       - Posso ficar aqui? Perguntou Bryan.
       - Claro! Respondeu a mulher.
       Bryan começou a ler seu livro enquanto a mulher, jovem, aparentando a mesma idade de Bryan, praticamente não se moveu. De vez em quando esfregava as mãos e na maioria das vezes parecia que estava olhando para o céu. Assim que deu seu horário, Bryan se moveu com a cadeira de rodas e se dirigiu de volta ao trabalho:
       - Até logo! Tenha uma boa tarde. Despediu-se Bryan. A mulher apenas fez um gesto com as mãos, como um sinal de tchau, sem ao menos virar a cabeça. Os dias que se sucederam a esse acontecimento com a mulher na praça foram muitos intensos no trabalho de Bryan, tanto que não teve mais tempo de relaxar na praça após seu almoço. Entretanto, da janela de sua sala que dava de frente para a praça, via que todos os dias, pontualmente no mesmo horário, aquela mulher estava na praça, sentada no mesmo banco e ficava sem se mexer, olhando para o infinito, como se fosse uma estátua. Bryan nunca a via chegando. Sempre que ia a praça, a mulher já estava sentada, imóvel no mesmo banco. As coisas se acalmaram no cartório e Bryan novamente pode ter tempo de descansar na praça após seu almoço.  Daquela vez ele estava lendo o livro Vestida para Matar. Quando Bryan chegou a mulher já estava sentada. Um sol forte batia no rosto das pessoas que descansavam ali e foi então que Bryan percebeu aquela mulher usando óculos de sol.
       - Boa tarde! Meu nome é Bryan e o seu?
       - Meu nome é Andréa!
       Andréa era deficiente visual. Bryan não tinha percebido das outras vezes que a viu na praça. Bryan e Andréa passaram a se encontrar na praça, todos os dias após o almoço. Andréa morava bem próximo. Costumava sentar-se ali durante os dias de sol para recordar-se do cheiro das plantas, do canto dos pássaros e de sua infância, quando no lugar da praça existia um campo onde os adolescentes se reuniam para fazer as brincadeiras da época. Aconteceu que aos dezesseis anos, Andréa foi diagnosticada com um tumor no cérebro. Realizou onze cirurgias dos dezesseis aos vinte e um anos de idade. O tumor sumia e reaparecia. Aos vinte e dois anos de idade, Andréa recebeu a pior notícia de sua vida: O tumor foi confirmado como maligno e ela perdeu a visão. De um momento para outro, Andréa deixou de enxergar a vida, os pássaros, as rosas no jardim, a praça... E tudo mais, mas como ela disse a Bryan, passou a enxergar a Deus. Os médicos disseram-na que o tumor não poderia mais crescer. Se assim o fizesse, Andréa estaria morta. Então, passou a tomar uma série de medicações para que o tumor não pudesse crescer e ela pudesse continuar vivendo. Perdeu os cabelos, se recolheu em seu quarto e só aceitou frequentar a praça após o falecimento de seu pai, pois ele a incentivava a sentir a natureza, mesmo que as luzes estivessem apagadas. Assim, Andréa passou a viver todos os dias como se fosse o último e a praça era um reduto sagrado onde ela sentia a esperança de continuar vivendo. Os dias foram se passando e quando Bryan e Andréa se encontravam na praça, Bryan lia os livros em voz alta e interpretava os personagens com vozes diferentes. Eles se divertiam muito, ao mesmo tempo em que sentiam a necessidade de ficarem mais juntos. Bryan também contou sua história para Andréa, até o ponto em que ficou definitivamente numa cadeira de rodas. Bryan passou a frequentar a casa de Andréa e juntos dividiam tantas sensações que serviam de estímulo para que deixassem seus problemas de lado e passassem a viver a vida verdadeiramente, não se importando se tudo pudesse acabar tão de repente que não pudessem se beijar:
       - A sensação de estar em teus braços é única! O contato com sua pele, suas carícias seu bom humor e suas gargalhadas são combustíveis para eu esquecer que existe dentro de mim algo que possa me aniquilar no próximo dia, na próxima hora, no próximo minuto. E nesse próximo minuto eu quero te beijar, te abraçar, sentir o calor do teu corpo... Eu quero te namorar!
       De todos os remédios, ambos encontraram aquele que estavam procurando: O amor. E o amor os completou e fazia de suas "novas vidas" um novo recomeço:
       - Acordar todas as manhãs, saber que estou viva e sentir você ao meu lado é mais uma prova de que Deus existe e que Ele me levou até a praça para te encontrar!
       Apesar de estarem morando juntos, Bryan e Andréa nunca deixaram de frequentar a praça. A praça para ambos era um lugar sagrado e a chamavam de céu. Os sábados pela manhã era um momento sagrado, dia em que eles mais gostavam de estar na praça. Bryan sempre ia à frente. Depois de alguns minutos Andréa chegava. Essa atitude era como se fosse um ritual e ambos se sentiam bem com esse procedimento. Quando Andréa chegava, Bryan sempre dizia:
       - Bom dia amor! Você chegou! Eu estava com saudades!
Andréa sorria, sentavam-se, se abraçavam, se beijavam e enquanto Bryan lia os livros, Andréa sentia o perfume das flores que Bryan sempre colhia antecipadamente. Até que chegou o inverno. Os sábados pela manhã ficaram diferentes. Com as geadas, as flores não exalavam mais seu perfume e o sol se escondia, tornando as manhãs cinzentas. Na noite anterior, Bryan percebeu que Andréa tremia muito. Levantou-se no meio da noite e lhe serviu um chá bem quente. 
       - Está tudo bem querida!
       Andréa não respondeu e Bryan deduziu que estivesse cansada, dormindo. O dia amanheceu e Bryan saiu na frente, como fazia em todas as manhãs de sábado. Não existiam flores no jardim e nem o sol estava brilhando entre as nuvens. Antes de sair Bryan pegou alguns livros e um agasalho a mais, pois estava muito frio. Andréa não se importava com o frio, sabia que Bryan se sentia bem quando estava na praça e ela também. 
       - Na praça, estamos no céu querida!
       Bryan sentou-se e ficou aguardando por Andréa. Separou alguns trechos dos livros que iria ler para ela. Notou que ela estava demorando mais do que o normal para vir à praça.
       Pensou ser em função do frio. Ameaçou retornar para buscá-la, mas lembrou de que sua amada gostava de vir sozinha. Estava acostumada com o caminho que fazia e que não a prejudicava, mesmo sendo deficiente visual. Bryan ficou muito preocupado com o atraso de Andréa e resolveu voltar para casa. Naquela manhã sentiu uma angústia que há muito tempo não sentia e até soltou um palavrão quando sua cadeira de rodas enroscou no portão da casa.
       - Querida! Querida!
Bryan não esperou que chegasse e antes começou a chamar por Andréa. Ao chegar ao quarto da casa, viu Andréa imóvel, coberta da mesma maneira em que estava quando Bryan acordou pela manhã. 
       - Querida! Querida!
       Andréa não respondia e não respondeu. Bryan voltou-se na cama para abraça lá e sentiu sua amada muito fria. Cobriu-a com mais um cobertor, foi até a cozinha, bebeu um café bem forte e ligou para o resgate. Andréa viajou para o “outro céu”, longe da praça. Alguns dias se passaram. Bryan continuou com sua rotina de trabalho no cartório, e no descanso do almoço voltava-se sempre à praça para conversar com Andréa. Conversava através do perfume das flores, do cheiro do mato, pelas frases dos livros que Andréa mais gostava, mesmo sem o sol que se escondia entre as nuvens cinza para chorar de tristeza, enquanto a garoa se confundia com as lágrimas que nunca cessavam em cair dos olhos de Bryan.


Ao seu lado descobri que entre o sonho e a realidade, existe um espaço chamado felicidade, e para que a minha felicidade se torne realidade, preciso estar ao seu lado.”


 TRECHO DO LIVRO

LIVRO - ALGUMAS CARTAS GUARDADAS NA MEMÓRIA - VOL. V

PÁSSARO CONDOR

    Vejo o sol se escondendo atrás das montanhas, as ondas do mar bem calmas e uma suave brisa no ar. No céu o voo rasante do condor enfeitando a paisagem, no mesmo momento que emerge das águas do mar uma sereia, mulher exuberante que aparece toda vez que o condor está voando. Queria eu ser o condor, para sensibilizar a sereia e tê-la numa visão privilegiada, filmar seus movimentos nas águas do mar e vê-la revoltando seus cabelos e confundindo seus olhos com a imagem do mar, vista de cima, entre nuvens de algodão, no céu azul. Na manhã seguinte, cai no mar novamente no mesmo momento em que o sol estava nascendo. No céu, não avistei o condor. Deveria estar guardando suas energias para vir rasante quando avistasse a sereia mergulhando no mar. E essa paixão, quando avassaladora, confunde o real com o imaginário e em meus devaneios sou o pássaro condor, feroz, em busca da minha presa, minha sereia, dotada de toda sentimentalidade do amor perfeito, onde os sonhos se tornam realidade e as nossas vidas passam a ser a plenitude do amor maior, feitio de paixão e assim posso morrer de amor, ressuscitar no final do dia, quando o sol se por e as estrelas uma a uma iluminarem o céu como os olhos da sereia. Vou olhar para o céu em todos os finais de tarde, ver a paisagem com o sol e as montanhas – uma obra prima, e o reflexo da sereia no espelho do mar. E como pássaro condor, impondo minhas asas, voarei para buscar você – minha sereia, e saciar minha fome de amar, pois nem mesmo nas profundezas do mar azul, posso ter em meu pensamento que sou infeliz, pois tenho você, sereia. Vejo em teus olhos da cor do mar toda a sentimentalidade do bem querer. Tenho nos raios de luz dos teus cabelos toda maneira de te querer bem, desejar, possuir. Assim, transformo-me no Pássaro Condor, feroz, a procura de amor. Caço toda matéria nos mais longínquos cantos para poder te oferecer como prêmio de toda minha devoção. Mergulho no mar -caço você - minha sereia... Tento entender como esta presa que acorrenta meu coração, sufoca minha alma, possa me possuir assim, com tanta ternura: - Mulher, metade amor metade paixão - que nem os dentes afiados de um tubarão sedento possa me conter...que nem a mais raivosa das tempestades possa me deter - Sou o teu príncipe do marSou homem desvalido de tanto amar. Ressuscito quando o sol se põe, para viajar num sonho possível, onde a cada noite dou um pedaço do meu coração. Mesmo sangrando, meu coração pula do peito e pode ainda bater por longos dias, como prova de meu amor. De tanto amar, me vem o Pássaro Condor, no meu íntimo, na sua devoção, com a presa em suas mandíbulas, trazendo mais um pedaço de você, para que brote novamente o meu coração. 
TRECHO DO LIVRO

29 de agosto de 2016

LIVRO - O QUE É O AMOR?

RAIN

    Da janela do meu quarto conseguia avistar a rua e a varanda da casa de Olivia. Sempre me arrumava com antecedência, vestia o uniforme para ir à escola e ficava esperando o momento certo de sair de casa para poder dar de cara com Olivia. Olivia Rain era muito orgulhosa. Sabia quem eu era, estudávamos na mesma classe, os nossos pais se conheciam e se davam bem, mas era difícil conseguir tirar um sorriso ou um boa tarde de Olivia.  Talvez porque seu pai não gostava que a gente jogava futebol na rua, em frente sua casa, e que às vezes tinham a desagradável surpresa de ver nossa bola de futebol cair em seu jardim. Quando eu chegava na rua, Olivia saía de casa e eu a acompanhava - ela de um lado e eu de outro. Ela sabia que eu estava ali, praticamente seguindo-a, como se eu fosse seu guarda costa. No meio do caminho encontrávamos outros amigos e conhecidos, uniformizados, que também caminhavam em direção ao colégio e daí, me perdia de Olivia e só íamos nos encontrar dentro da sala de aula. A Sra. Rain dizia a minha mãe que era para eu ficar de olho em Olivia, principalmente na volta do colégio, quando as ruas ficavam na penumbra. Eu obedecia, mas, apesar de tentar puxar conversa, para Olivia era como se eu não existisse. Olivia sempre foi linda! Sem uniforme, quando soltava os cabelos e vestia a calça rancheira apertada, deslumbrava e causava furor. Por ser filha única, sempre foi mimada pelos pais, Sr. e Sra. Rain. Melhor aluna da classe, tinha o apelido de nariz empinado, pois escolhia a dedo os amigos e não sentava no fundão da sala de aula. Mas, às vezes julgamos as pessoas sem conhecê-las direito e quando realmente conhecemos temos uma surpresa e foi essa surpresa que eu procurava encontrar em Olivia. Uma surpresa agradável! O inverno chegou e a chuva também. Teríamos aulas de reposição. Tínhamos que ir ao colégio todos os dias e praticamente não tivemos férias. Certo dia amanheceu chuvoso e frio, justamente no dia do exame de matemática. Naquele dia foi difícil pular da cama - avancei a madrugada estudando, pois precisa tirar uma boa nota no exame. Me atrasei ao me arrumar, olhei pela janela e não vi Olivia e pensei que talvez alguém havia levado-a ao colégio devido a chuva.
    - Tchau mãe!
    - Tchau filho!  Pegou o guarda chuva?
    - Sim, peguei o guarda chuva do papai!
    O guarda chuva do meu pai era bem grande e debaixo dele nunca iria me molhar. Tinha que chegar logo no colégio, pois o Seu Alcides, professor de matemática, não tolerava atrasos. Subi as escadas em direção à rua e me deparei com uma chuva forte. Abri o guarda chuva e para minha surpresa, avistei Olivia na varanda de sua casa, parada, olhando para o céu, esperando a chuva passar para poder sair. Percebi que estava aflita, pois não poderíamos chegar atrasados. Percebi que minha chance havia chegado. Olivia não tinha outra opção, somente a proteção do meu guarda chuva.
    - Vamos Olivia, senão chegaremos atrasados para o exame de matemática!
    Olivia saiu correndo da varanda, desceu as escadas em direção à rua e fiquei esperando ela chegar, como uma princesa que vem aos braços de seu príncipe encantado. Caminhamos em direção ao colégio quando a chuva apertou novamente.
    Apesar do guarda chuva gigante, a chuva molhava meu ombro, quando Olivia me disse:
    - Me abraça senão você vai se molhar!
Me senti nas nuvens abraçando Olivia, sentir seu corpo colado ao meu e seu perfume tinha o cheio das rosas do jardim da Sra. Rain. Fiquei tão emocionado de abraçar Olivia que nem sabia o que dizer. Ela sorria com a situação é aquilo foi bom, melhor ainda quando ela me chamou pelo nome e disse:
    - Não sei o que seria de mim se não fosse você.
Ela me agradecia muito, enquanto apertava meu corpo e eu concluía que ela não era tão orgulhosa.
    Olivia era um amor de garota! Chegamos ao colégio faltando poucos minutos para começar o exame. Sentamos um ao lado do outro. Tirei um lenço branco que minha mãe sempre colocava no bolso de trás da minha calça de uniforme e dei para Olivia se secar dos respingos da chuva.
    - Ela sorriu pra mim novamente e eu até deixei de lado o nervosismo que sempre tinha quando fazia o exame de matemática.
    Parecia um sonho! Um sonho real por assim dizer, mas eu tinha que me ater ao pesadelo do exame de matemática, que estava muito difícil e eu precisava tirar uma boa nota.
    Depois de uma hora, vi quando Olivia se levantou. Ela havia terminado o exame. Eu continuei quebrando a cabeça para resolver os exercícios de matemática.  Olhei para o céu pela janela da sala de aula e vi que ainda estava chovendo e o dia escurecendo. Naquele instante não poderia ficar pensando em Olivia e tratei de me concentrar no exame.
    - Faltam dez minutos!
O professor Alcides parecia um cientista maluco e sua voz sarcástica dizendo que o tempo do exame estava se esgotando serviu para todos se apressarem. O exame estava muito difícil, mas senti que poderia alcançar a nota que precisava. Eu tinha estudado muito e fiquei tranquilo.
    Ao sair do colégio, olhei para o céu e vi que a chuva caia ainda mais forte. - Onde estaria Olivia?
Talvez a Sra. Rain tenha vindo buscá-la ou teria ido de carona no guarda chuva de algum colega.
    Sai despreocupado e sozinho. Pulei algumas poças d´água que se acumulavam na rua, quando ouvi uma voz doce me chamando: - Posso ir com você?
    Era Olivia. Estava debaixo do toldo da papelaria que ficava próxima ao colégio: - Vamos Olivia!
    Novamente lá estava eu, abraçado à minha amada, sentindo seu corpo e seu cheiro, debaixo do guarda chuva que eu havia pegado emprestado do meu pai e que fazia com que pudesse proteger Olivia das águas da chuva que eu nunca imaginava que sentiria alegria por tanta enxurrada.
    - Eu não consigo pular!
    Existia uma grande poça d´água à nossa frente. Eu já estava com os pés todo molhado e meu sapato já tinha ido pro saco. Oliva nunca conseguiria pular aquela poça.
    Delicada, delicadíssima como uma pétala de rosa, Olivia não conseguiria pular. Pensei rapidamente numa solução, pois não poderíamos ficar ali parado, já era tarde e a chuva não cessava. Foi então que pedi para Olivia segurar o guarda chuva. Peguei-a no colo e passei por dentro da poça d´água, sem importar em me molhar, sem importar em perder o meu sapato... O importante foi que o meu amor estava no meu colo, doce como a suavidade de seu rosto colado junto ao meu e pelo brilho de seus olhos coloridos olhando aos meus.

    Transportamos a poça d´água, senti que não existiria mais nenhuma barreira entre os nossos corações e fomos premiados por um longo beijo que me fez sentir o gosto do mel da boca de Olivia, o grande amor da minha vida. E quando a chuva passou, as rosas do jardim da Sra. Rain brotaram novamente e emanadas pelos raios de sol, se confundiram com a beleza de Olivia, a rosa mais bela do meu jardim.
TRECHO DO LIVRO