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16 de julho de 2016

LIVRO - AMOR EM PEDAÇOS

O BEIJO QUE VOCÊ ME DEU
       Os alunos sempre ficavam perfilados no pátio e ouviam o hino nacional antes que subissem para a sala de aula. Depois, os inspetores conferiam na fila se todos estavam com os uniformes devidamente alinhados, limpos, sapatos engraxados, cabelos penteados e devidamente aparados. Evidente que existia certo rigor excessivo, mas servia para complementar a educação que recebíamos de nossos pais. Para complementar o rigor, os meninos ficavam bem longe das meninas, mas mesmo de longe eu conseguia ver a beleza de Elizabeth, para mim, a menina mais linda do Grupo Escolar. Quando terminávamos de cantar o hino nacional, os meninos e meninas, perfilados, se dirigiam para a sala de aula e sempre, num dado instante, a fila dos meninos se encontrava com a fila das meninas. Como eu era um dos mais altos, ficava sempre no final da fila e consegui ver todas as meninas passarem e me encantava com todas, mas em especial com Elizabeth.
        Elizabeth sempre ganhava os concursos de menina mais bonita e que tirava as melhores notas em todas as matérias e eu de cara deduzi que para conquistá-la, primeiro teria que ser um excelente aluno. Eu me esforçava demais para tirar boas notas. Minhas notas não eram ruins, mas não iguais a de Elizabeth. Na sala de aula eu gostava de sentar-me na lateral, do lado da janela. Elizabeth sentava-se numa posição mais central, na terceira fileira e da minha posição conseguia ver suas pernas perfeitas e seu corpo de silhueta de traços uniformes, tudo encaixado na saia cinza e camisa branca. Eu precisava de uma chance, de uma oportunidade de ficar frente a frente com Elizabeth e poder iniciar uma conversa. Nos grupos de trabalho eu gostaria de poder participar com Elizabeth, mas a professora, a chata da Dona Cacilda quem formava os grupos e ela sempre separava os meninos das meninas.
       - Vai ter a festa de aniversário do Robertinho. Você vai?
        Sinceramente não estava a fim de ir à festa do aniversário do Robertinho. Eu estava cansado de ficar esquentando a parede da garage onde fazíamos os bailes, principalmente quando tocava a música we said goodbye do Dave McLean. Nenhuma menina queria dançar comigo:
        - Você é muito alto. Diziam elas.
Mas quando fiquei sabendo que Elizabeth iria à festa, não pensei duas vezes. Fui. O Robertinho era um cara legal, mas muito metido. Era ruim de bola, preferia jogar vôlei a futebol, por isso não fazia parte da minha roda de amigos, mas, mesmo assim nos dávamos bem. O pior foi saber que ele também estava a fim da Elizabeth e além do mais as notas dele eram melhores que as minhas. O grande defeito de Elizabeth era escolher seus amigos e amigas em função das notas que tínhamos no boletim. Isso me incomodava, pois, apesar de não ser mal aluno, estava no terceiro escalão de notas e assim seria difícil me aproximar de Elizabeth. Todos achavam Elizabeth a mais linda da escola. Até as meninas, os professores, a diretora, achavam Elizabeth linda, e eu, evidentemente, muito mais ainda. Quando cheguei à escola naquele início de tarde, após cantarmos o hino nacional e tomarmos uma geral dos inspetores, as filas iniciaram a subida para as salas de aula. Na curva da escada, me dei de frente com Elizabeth.  Meu Deus! Que garota linda! Ela olhou para mim e sorriu. Minha boca ficou aberta e eu hipnotizado. Os olhos de Elizabeth brilhavam e as minhas pernas tremiam. Ela sorriu novamente e me chamou pelo nome:
       - Você vai à festa do Robertinho?
       - Vou sim!
       - Então nos vemos lá!
Na sala de aula era muito difícil os meninos conversarem com as meninas por causa da Dona Cacilda e as chances disso acontecer era na fila, depois do hino, subindo as escadas em direção à sala de aula. No recreio também era tudo separado e sempre éramos vigiados pelos inspetores. Uma vez eu e o Robertinho armamos um plano que deu certo e conseguimos passar para o lado das meninas. Foi uma aposta. Quem conseguia passar as meninas beijavam... Pena que aquilo me custou dois dias de suspensão e uma carta de advertência, assinada pela Dona Cacilda.
       Fiquei muito feliz de ter tido a oportunidade de conversar com Elizabeth e teria uma grande oportunidade de conversar novamente na festa do Robertinho.
       De volta para casa, naquele dia, comecei a descobrir o que é realmente o amor, como ele se manifesta e as transformações que temos no comportamentos e ficamos como se realmente estivéssemos no "mundo da lua". A partir daquele momento eu tinha decidido que iria tentar conquistar Elizabeth de qualquer maneira. Eu estava apaixonado e meu primeiro desafio foi melhorar ainda mais meus estudos, pois sabia que a maneira mais rápida de me aproximar de Elizabeth era ter um boletim cheio de notas verdes.
      Minha mãe ficou preocupada e confusa, pois pelas notas que eu tinha no boletim não era necessário que eu me "matasse" de estudar. Meu pai ficou muito preocupado, pois me pegou várias vezes nas madrugadas debruçado e dormindo sobre os livros:
       - O que será que está acontecendo com esse menino?
       A festa foi um fracasso. O puto do Robertinho só convidou homem. Devia ter uns quinze meninos para quatro meninas, dentre elas Elizabeth. A vitrola quebrou na terceira música e o jeito foi ficar conversando, comendo bolo pullman e bebendo crush. Elizabeth foi logo embora. Seu pai veio buscá-la muito cedo e assim a festa perdeu a graça, pois as outras três meninas eram muito feias. Na semana seguinte eu teria uma grande chance de mudar o rumo desta história. Aconteceria um concurso ou uma gincana de matemática. Eu havia estudado feito louco nos últimos meses e as minhas notas que já eram boas, ficaram ótimas. Só que desta vez a gincana teria um atrativo a mais e que aguçou todos os meninos: Como Elizabeth vencia todas as gincanas de matemática, daquela vez ela não participaria. Além disso, o primeiro colocado dos meninos ganharia um beijo de Elizabeth. Existiam doze meninos participando da gincana, pois somente os doze que tinham as melhores notas poderiam participar. Os três primeiros colocados ganhariam medalhas de ouro, prata e bronze e o primeiro colocado, além da medalha de ouro, ganharia o beijo de Elizabeth. A prova foi composta por dez questões, dez exercícios de matemática em que os doze meninos teriam quarenta e cinco minutos para resolvê-los. Eu estava bem preparado, tinha estudado bastante, gostava muito de matemática, mas os outros garotos também eram bons e todos nós queríamos o beijo da garota mais linda e mais gostosa da escola. A prova não estava difícil, mas o professor Alcides era mestre em preparar algumas pegadinhas nos exercícios que fazia confundir e se não fossemos espertos poderíamos errar até mesmo os exercícios fáceis. Terminei a prova com trinta e sete minutos. Robertinho terminou com trinta e os outros concorrentes ainda ficaram "quebrando a cabeça"
       - Cadê a Elizabeth!
       - Calma garoto. Tá com fogo? Disse a Dona Angélica, diretora que iria ajudar o professor Alcides na correção das provas.
       Eu estava nervoso, minhas mãos estavam suando e me deu vontade de fazer xixi. Fui ao banheiro e no corredor encontrei-me com o Robertinho:
       - O que achou da prova?
     - Não estava difícil, mas o professor Alcides gosta de fazer pegadinhas nas questões.
       - É mesmo, mas minha medalha e meu beijo estão garantidos, disse o metido do Robertinho.
       O professor Alcides começou a corrigir as provas com um sorriso sarcástico no rosto quando a diretora Dona Angélica disse que todos estavam dispensados e podiam voltar para suas casas e que o resultado da gincana de matemática somente seria divulgado no dia seguinte. Foi muito difícil dormir naquela noite que antecedeu o resultado da gincana. Eu tinha certeza que tinha ido bem na prova, mas me bateu um conflito em minha consciência. Eu estava apaixonado pela Elizabeth, mas não queria ganhá-la num concurso de matemática e ao mesmo tempo o beijo seria apenas um cumprimento, da mesma forma que as pessoas se saúdam por um feito, prêmio etc. Dessa maneira eu fui para a cerimônia de premiação despreocupado, sem a ansiedade de que teria que ganhar a qualquer custo e pensar que o beijo de Elizabeth valeria mais do que a medalha de ouro.
       - Vamos iniciar o anúncio do resultado, Disse a Dona Angélica.
       Eu fiquei longe do palco. Estava estranho naquele dia. Senti uma vontade de ir embora e sequer saber do resultado da gincana. No meio da multidão de alunos não consegui avistar Elizabeth, enquanto a Dona Angélica entregava a medalha de bronze para o Victor Hugo. O Robertinho esfregava as mãos, mas ficou decepcionado com a medalha de prata.
       - E o vencedor da gincana de matemática da oitava serie do ano de mil novecentos e setenta e quatro foi...
       Quando o professor Alcides anunciou meu nome como vencedor, a única coisa que me veio à mente foram os dias em que passei estudando até nas madrugadas para que pudesse estar mais perto da garota que eu estava apaixonado. Lembrei-me da preocupação dos meus pais e cheguei à conclusão naquele momento que o mais importante era saber que fui capaz de atingir um objetivo e isso foi muito importante para o que eu pretendia na minha vida. Quanto a Elizabeth, para que deveria me preocupar com o beijo se ela nem ao menos estava na cerimônia de premiação?
       - Eu estou aqui! Eu vi quando você se afastou do palco e veio nesta direção! 
       Era Elizabeth, na minha frente!
Ela olhou em meus olhos e logo fui hipnotizado pelo brilho de seus olhos de ébano, enquanto a Dona Angélica me chamava pelo microfone para me entregar a medalha de ouro.
       - Fiquei contente que você venceu a gincana. Torci por você.
Na verdade eu não estava acreditando no que estava acontecendo. Abaixei a cabeça e vi quando os pés de Elizabeth caminharam na minha direção. À medida que ela se aproximou, exalou um perfume que jamais havia sentido. Parecia que eu estava num imenso jardim em que todas as rosas tinham inveja de Elizabeth, por ela ser a mais bela, a mais perfumada. E quando ficamos frente a frente, pensei em dar uma face para que Elizabeth me beijasse, pois afinal, eu havia ganhado a medalha de ouro. Mas existem momentos na vida que são únicos, que não podemos deixar passar, pois só existem uma vez e pode ser que não teremos mais uma oportunidade como aquela. E foi então que ao invés da face, dei minha boca para Elizabeth. Foi uma sensação única que pensei que demoraria poucos segundos e fomos surpreendidos por um longo beijo. E o beijo quando somado ao abraço, invade a alma e o coração dispara feito uma bateria de ritmos descompassados, e o resultado são formas de expressão, como as bochechas vermelhas no rosto de Elizabeth e as minhas pernas trêmulas, resultando no que chamamos de paixão.
       - Elizabeth, eu nunca vou me esquecer daquele beijo. Do beijo que você me deu!

        “O mundo pode acabar amanhã que não vou me esquecer do beijo que você me deu! Existem momentos na vida que ficam gravados para sempre na alma e no coração. E isso se torna um combustível que nos permite forças para nunca desistir de caminharmos em busca da felicidade. E é por isso que nunca vou me esquecer do beijo que você me deu! Lembra? Mesmo quando as estrelas uma a uma estiverem se apagando não vou esquecer-me do beijo que você me deu. Se estiver velho e sem forças, quando meu coração insistir em parar de bater, vou recordar o beijo, daquele beijo, do beijo que você me deu. Para o caminho que eu seguir, pode ser que minha memória se apague. Em meus devaneios vou pedir ajuda de Deus para que não se apague a lembrança do beijo, do beijo que você me deu. E se a saudade for tanta, tamanha, que eu queira deixar de existir para esquecer-se do gosto do teu beijo, caminharei das mais distantes vilas, do fundo do mar, da última estrela do universo, do infinito, e vou pedir a Deus para nascer de novo, nem que seja por alguns minutos, e que eu possa te encontrar de novo e você me dar um beijo igual àquele que você me deu!”
TRECHO DO LIVRO

LIVRO - ALGUMAS CARTAS - ANTOLOGIA III

AS ROSAS SOBRE A MESA NÃO VIVEM MAIS:
A porta estava entreaberta e do meu lado eu podia a ver olhando para uma imagem de Jesus Cristo no alto da parede. Seria bom se tivéssemos a bênção de Deus, tentamos várias vezes, mas caminhamos, infelizmente, em lados opostos, não compartilhamos do mesmo pensamento e nossas atitudes intempestivas contribuíram para tantas brigas e em cada briga uma desilusão, rancor, fazendo com que as mágoas habitassem de vez nossos corações. Para que vamos lutar para nos unir novamente se a cada manhã ou ate mesmo antes do sol nascer estamos em discórdia novamente? Vamos terminar por aqui para que a mágoa não vire definitivamente rancor. Muitas vezes parei para pensar porque chegamos numa situação como a que estamos vivenciando neste cenário de guerra, onde a discórdia prevalece sobre a compreensão e não existe razão em nossas atitudes e pensamos. Tentei voltar no tempo e retomar do momento em que fomos felizes, mas a máquina do tempo enguiçou e eu não consegui chegar, talvez por tantas pedras que encontrei no caminho, umas atiradas por você, outras por mim... Talvez porque você não estivesse lá quando eu chegasse e eu ficaria na dúvida se seria bom ou ruim. A minha vida nunca foi um mar de rosas, mas naveguei na felicidade quando te busquei no fundo do mar e te ergui como um troféu, quando submergi e fui até os céus de alegrias e contentamento. Apesar dos espinhos, não me sangrei, pois existia amor em nossas atitudes – Existia. E os nossos corações eram metade amor, metade paixão, que nenhuma força, mesmo as sobrenaturais, podia destruir. Era isso que se podia ler nos olhos de um casal, pronto a irem cada um para seu lado, cada um para seu destino incerto, pois de tantas voltas, agora sabiam que o amor não é eterno. Olhando para os discos, os livros sobre a estante empoeirada, vinha em minha mente momentos em que consegui entender e sentir o que é um amor de verdade. Talvez fosse melhor não termos declarado juras de amor, talvez não devesse ter nos amado tanto, tanto... Talvez, pois ao percebermos que nos enganamos, que fomos enganados por um mal súbito de nossos corações, a dor se tornou maior, como um punhal de toledo fincado em nossas costas largas, mesmo depois de uma longa noite de amor.
       Assim como o amor veio, se foi. Se foi muito mais rápido, deixando rastros, deixando uma porta entreaberta entre nós, dividindo o certo e o errado, o justo e o injusto... A dor. Já pensamos uma vez achar que tudo foi um sonho, uma fantasia, mas que tivesse um final feliz, como nos filmes de amor que assistimos tanto, nos despedindo com um sorriso ou um aperto de mão, ao invés de ficarmos cada um em seu mundo, separados por uma porta a bater a qualquer momento de um lado ou de outro, de tanta ira que irradiava nosso ambiente. Quando te conheci estava vivendo o melhor momento da minha vida. Você chegou como uma luz a iluminar ainda mais o meu caminho. Foi amor à primeira vista, como nos filmes das matinês quando éramos crianças. Perguntei a mim mesmo o que era o amor que estava sentindo naquele momento e a resposta eu obtive no teu olhar, na tua boca e no gosto do beijo que você me deu, de repente, sem eu esperar, fazendo com que minhas pernas tremessem, sem ser de medo, pela primeira vez.
       Foi então que passei a entender verdadeiramente o que significava a saudade, quando você estava longe de mim. Ficar sem sentir teu cheiro e imaginá-lo, não era a mesma coisa e foi por isso que nossos encontros e reencontros foram sempre apimentados, calientes... E tínhamos a necessidade de nos abraçarmos como se cada abraço fosse o ultimo, como se cada beijo fosse o ultimo e como se nunca mais fossemos nos encontrar. Tudo aconteceu como se fosse um conto de fadas, como se a vida fosse perfeita, como se não existisse tristezas, apenas felicidades, mas chegou uma hora que a história teve que terminar. Eu fiz de tudo para que fosse um final feliz, mas também errei, também cometi os meus pecados e se estamos separados e incomunicáveis dentro de nossa própria casa, eu e você temos culpas. Eu acredito que nos precipitamos quando resolvemos viver juntos antecipadamente, tínhamos que conhecer melhor a vida. Não tínhamos como aproveitar a vida plenamente e isso aguçou o nosso sentido de liberdade. Olhar para você além da porta entreaberta pode significar o meu desespero da separação, mas assim pode ser melhor. Não podíamos continuar como se fossemos estranhos num mesmo ambiente em que as rosas sobre a mesa sempre foram o sinal de afeto e ternura, que não existe mais entre nós. Quem sabe, até resolvermos nossa situação você possa fazer a sua mea culpa. Eu já fiz a minha e já lhe disse que errei bastante, mas se formos realmente remoer o passado, fazer nosso próprio julgamento, seremos condenados e nossos corações ficarão presos, amarrados, sangrando por raiva e descontentamento e é por isso que devemos terminar a jornada neste momento, para que as feridas não se tornem gangrenas e definitivamente parem de sangrar. As rosas sobre a mesa sempre estiveram vivas, montadas e arranjadas num jarro com água na sala de estar sobre a mesa de jantar. Suas cores simbolizaram os momentos em que vivemos e a paixão vermelho que se aflorou num longo tempo em que convivemos.
       Olhando-te nesta pequena distância que agora nos separa, posso até dizer que os momentos por nós vividos poderiam ser um combustível para a reconciliação, mas, na boa... Não dá. As brigas provocaram feridas que machucaram nossos corações e as cicatrizes não formaram eficazes para curarem os buracos deixados em nossas almas. Queria me despedir de você de uma maneira menos cruel, mais suave, sem rastros de desavenças nem olhares de rancor, mas não dá, pois temos as mesmas armas, as mesmas pedras nas mãos que depois de lançadas, não voltaram mais e ficaram sem efeito os pedidos de perdão. Aprendi que quando se tem uma desavença, o melhor que temos a fazer e deixar a tempestade passar, para depois recolher os cacos, reparar os estragos que provocou. Não adianta tentar hipnotizar as mágoas com os olhos vermelhos, cheios de ódio que o amor provocou. Não devemos tentar novamente. Temos que terminar e que possamos fazer com que a raiva passe mais depressa e possamos seguir caminhos de vias contrárias, para que não possamos mais nos trombar na estrada da desilusão, ainda mais que, em todas as tempestades, a maior disputa sempre foi para ver quem vai segurar o timão do navio que já estava a muito tempo naufragado.
       Então, o melhor a fazer agora é ignorar os insultos, pois o oposto do amor não é o ódio e sim a indiferença... Portanto, os discos e os livros você não levará com você.
       - Não vão lhe fazer falta.
Pra onde você for não leve nenhum objeto que possa fazer lembrar algum momento vivido entre nós, pois a situação exige que se apague qualquer sinal que um dia nos uniu.
       Da cabeceira da cama pode tirar o teu retrato, não vou querer recordar é não vai me fazer falta. Ao passar pela ultima vez no jardim que um dia brotaram rosas coloridas, não deixe rastros sem saídas, não pise fundo nas terras negras, pois vem de lá toda a inspiração para meus versos e minha vida. Tome muito cuidado com os buracos que você mesma deixou para que eu pudesse cair em suas armadilhas. Ao sair de casa, não derrube o que estiver pela frente, não destrua o que já está destruído e nem bata a porta com a força da sua indignação, pois eu não quero ver a tua ira. Passando pela sala de estar junto à mesa de jantar, não se esqueça de recolher as rosas sobre a mesa... Elas não vivem mais... Ficaram murchas, [cresceram-se em espinhos], secaram com o tempo, morreram como o amor que um dia eu e você pensamos ter existido.
TRECHO DO LIVRO