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29 de abril de 2016

LIVRO - ALGUMAS PALAVRAS _ FILOSOFIA - COLEÇÃO

Na Antiguidade, dizia-se que “O pensamento é o passeio da alma”, pois este era considerado uma atividade na qual saímos de nós mesmos sem sairmos de nosso interior. Em nosso cotidiano, usamos as palavras pensar e pensamento em sentidos variados, podendo se constituir em uma atividade solitária, invisível para nós e que precisa ser proferida para ser compartilhada, ou também se traduzir em sinais corporais e visíveis. Há várias maneiras de se interpretar o pensar, que pode ser visto como preocupação cisma ou dúvida; pode ser sinônimo de deliberação e de decisão, como algo que resulta numa ação; pode se referir a algo que se pode ou não querer, algo voluntário e deliberado, uma forma de atenção e concentração; pode representar uma determinada ideia que, definindo algum assunto, foi publicamente anunciada; ou pode ainda, conforme mencionado por Descartes na frase “Penso, logo existo”, indicar a própria essência da natureza humana. Podemos inclusive supor que há bons e maus pensamentos.
Trecho do Livro 

24 de abril de 2016

LIVRO - RUA CINCO DE JULHO - BURACO NA ALMA NO CAMPO DE SONHOS

Ao adormecer, me vi num corredor estreito, iluminado por luzes fortes, amarelas e repleto de fumaça branca. Estava frio e comecei a escorregar em curvas, como se fosse um tobogã, até chegar à ponta de baixo de uma grande escada branca onde avistava bem lá no alto uma grande porta.
- Suba Tinho! Suba!
Uma voz de menina pedia para eu subir as escadas.
- Mas eu não posso subir essas escadas! São muitos degraus e eu tenho arritmia. Posso ter uma crise!
- Suba Tinho! Suba!
- Mas quem é você?
- Suba Pai!
Não foi difícil subir as escadas, pois parecia que estava voando e ao invés do esforço me provocar uma crise, sentia meu coração cheio de amor e paz. Ao chegar à porta, ela mesma se abriu sem ao menos eu bater e de dentro uma voz perguntava o que eu estava fazendo ali, e respondi:
- Eu vim chamar a minha mãe. Ela precisa soprar meu coração! Meu coração está doendo!
- Deixa que eu chamo! Disse a menina, de vestido vermelho.
Foi então que a porta se fechou e eu fiquei do lado de fora, descendo os degraus como se “pássaros com grandes asas” me conduzissem. Olhei para trás e vi a menina de vestido vermelho me dando tchau e gritei perguntando seu nome:
- Anna!
Olhei para a janela lateral e vi que ainda estava escuro. Perdi a noção do tempo naquele momento. Estava deitado em minha cama, olhando para algumas estrelas que apareciam no céu. O
céu me parecia tão perto e o brilho das estrelas iluminavam o meu quarto. Fui até a cozinha preparar um copo de leite com café e senti que parecia ter alguém na sala. Pelo espelho do banheiro, que refletia o sofá da sala, vi uma menina pulando no sofá como se fosse uma cama elástica. Tive a sensação de que se ela me visse, iria parar de pular, mas eu não queria que ela parasse. Fui devagar até a minha cama, me deitei, mas conseguia ainda vê-la na sala, pulando no sofá. Ela estava ali, na minha frente, sorrindo pra mim!
- Anna. Minha filha!
Agora de vestido branco, acariciando os meus pés e indicando que eu tomasse um copo com água que estava no criado mudo, ao lado dos remédios que eu havia ingerido, ao lado do retrato onde eu e ela estávamos abraçados e sorrindo. Eu tentava me levantar para abraçá-la, mas não conseguia, e ela fazia um sinal, como se estivesse pedindo para eu ficar quieto, deitado, sem me esforçar e mesmo afoito, resolvi obedecer. Eu precisava de um remédio. Eu precisava dela e Deus me fez vê-la, provando a mim, mais uma vez, que ELE existe.
- Descanse bem, pois amanhã tem jogo!
- Jogo?
- Sim Tinho! Contra os caras da Rua Marcos Portugal! Lembra?
- Como você sabe menina?
- É tudo que você sempre quis, não é? Marcar um gol num jogo decisivo!
Se eu pudesse falar e você ouvir, queria lhe dizer tantas coisas, mas Deus só permitiu que eu visse o sorriso de Aneobalda, depois do diálogo, vindo à direção dos meus olhos para fazer com que meu coração explodisse em bater, mas sem arritmia, somente de alegria e contentamento.
- Descanse bastante, Tinho!
- Tá bom!
- Você precisa ficar bem para poder marcar o gol da vitória! O jogo vai ser muito importante! Será contra os caras da Rua Marcos Portugal e vai valer troféu, medalha e flâmula!
- Tá certo, mas eu preciso ainda comprar o meu tênis bamba!
- Sua mãe já comprou e nós já sopramos seu coração! Vá é marque o gol da vitória. Estaremos torcendo por você e seu time, e depois, quando o jogo acabar, suba novamente as escadas, não vai doer. A porta irá se abrir e estaremos te esperando para lhe abraçar. Vou correr em teus braços e como criança, você vai me girar no ar. Esse é o melhor momento, a hora de te encontrar, pai!
TRECHO DO LIVRO

LIVRO - DO OUTRO LADO - UM NOVO FINAL - 2a. edição



A mesa estava fria, tal como as mãos do médico que trabalhava para me tirar a pequena vida cujo coração só recentemente começava a bater. Senti vergonha e uma dor terrível por permitir que este médico tirasse de mim o meu bebê. No silêncio e no meu desespero, podia ouvir uma voz muito baixa que estava a chamar a minha atenção.
               Era como se a voz dissesse:
               "Não, por favor, não... Por favor, não."
Mas foi tarde demais. A voz desapareceu junto com o corpo pequenino. Que vergonha, culpa e depressão me seguia. Como foi possível eu fazer uma coisa tão egoísta e má? Que tipo de ser humano sou? Eu queria morrer. 
               Quando estava pronta para sair da clínica, reparei numa enfermeira a colocar um cartão na gaveta.  Supunha que tinha o meu nome e toda a informação sobre o meu bebê morto. Então, é assim pensei eu, A vida do meu bebê num cartão que vai ficar dentro de muitos outros, num gabinete. Posso saber o que está escrito no cartão? Será que era um rapaz ou menina? Claro que não - Ouvi dizer que não é possível de se saber tão cedo. Por intuição penso que era um rapaz.
             Mas como era o meu bebê? Mas em vez de ter nos meus braços um bebê vivo que respirava, e que um dia iria correr rir e amar, só existia um cartão com palavras. Continuei a pensar mais: E se alguém conhecido começar a trabalhar nesta clínica e vir o meu nome nas fichas? Sentia-me muito envergonhada. Preocupava-me com a minha reputação. O meu aborto aconteceu há doze anos. Foi num mês de Novembro - e a cada outono, quando vejo as folhas das árvores mudarem de cor e caírem , lembro-me da minha queda quando matei o meu próprio bebê.  Todavia apesar daquele dia tão terrível, desde então eu vim a conhecer um Salvador que me ama. Soube do seu perdão e agradeci-lhe por isto, mas nunca me sentia perdoada. Eu chorava muitas vezes pedindo-lhe para tirar-me a culpa e o sofrimento, mas parecia não haver resposta. Até que uma noite eu tive um sonho tão real até ao ultimo detalhe. No sonho estava na clínica, a olhar a enfermeira a colocar o cartão na gaveta. Sentia um peso enorme ao meu redor, que quase não conseguia respirar. De repente um homem apareceu ao lado da enfermeira. Ó não! Será alguém que conheço? Alguém vai descobrir o que eu fiz.  O homem virou-se para mim. Eu vi o seu rosto. Não, por favor, Ele não... Qualquer pessoa, menos Ele. Era Jesus!
 - Saia, se faz favor, dizia eu. Não deve estar neste lugar horrível. 
Mas Ele não saia. Em vez disto, mansamente, Ele tirou o cartão da mão da enfermeira. Eu comecei a tremer na medida em que eu via os seus olhos absorver a realidade do que eu tinha feito. Lentamente Ele curvou a cabeça e começou a chorar. Sentia-me tão mal porque eu era a razão d'Ele ter vindo àquele lugar. Eu caí ao chão em desespero. Senti as suas mãos nos meus ombros e olhei para os seus olhos, esperando a sua ira. Mas não via nem ira nem condenação, só compaixão. O seu rosto refletia tristeza, e percebia que era mais profunda do que a minha. Ele abraçou-me e eu coloquei a minha cabeça no seu peito. As nossas lágrimas caiam juntas. Finalmente ele começou a escrever algo no cartão. Eu vi e descobri que Ele tinha escrito o seu próprio nome em cima do meu pecado. O seu nome estava escrito num vermelho tão forte que não mais conseguia ler o que estava escrito em baixo. Ali, no seu próprio sangue, o nome de Jesus Cristo cobriu o meu pecado. O peso saiu de mim e enquanto olhava nos seus olhos brilhantes Ele sorriu e sussurrou: Tudo acabou. Finalmente compreendi. Não há condenação para aqueles que acreditam em Jesus, só perdão. A culpa já passou - sou perdoada e livre do passado, agora posso andar com Jesus com felicidade e paz.
TRECHO DO LIVRO