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24 de janeiro de 2016

LIVRO - RUA CINCO DE JULHO - PARTE II - BURACO NA ALMA NO CAMPO DE SONHOS

O número 316 apareceu no painel da recepção. Eu seria o próximo a ser atendido, a fazer os exames. Lembrei-me de quando minha mãe me levava aos Sanatorinhos na Rua dos Patriotas. Eu era muito pequeno, não entendia nada, não entendia o porquê de estar ali, naquela fila, esperando um homem vestido com um avental branco me examinar. Minha única preocupação era segurar a minha bola de capotão que não largava nem para dormir. Debaixo da minha cama, lembro-me muito bem que existia um penico e minha bola de capotão, além do meu bamba branco, para jogar futebol e fazer educação física. Certo dia, escondido atrás da porta, ouvi uma conversa da minha mãe com o meu pai, onde minha mãe dizia que precisaria me levar num outro médico, pois no Sanatorinhos não tinham recursos e eu tinha que cuidar de uma “doença” que eu tinha no coração. Ouvi minha mãe dizendo que eu tinha “sopro no coração”. Depois de alguns minutos refletindo e tentando entender aquela conversa dos meus pais, passei pela sala de estar e debaixo da mesa de jantar peguei minha bola de capotão e disse à minha mãe:
          - Mãe, posso ir jogar futebol na rua?
          - Pode sim meu filho!
          - Se eu cair, me machucar, você passa mercúrio e “sopra”?
          - “Sopro” sim meu filho, “sopro”... Pode ir!
          Da poltrona da recepção, via alguns meninos jogando futebol na rua lateral ao laboratório. Chutavam uma bola de capotão velha, com os gomos descosturados, jogavam sem camisas, como fazíamos na Rua Cinco de Julho.  O painel ainda exibia o número 316 quando ouvi uma voz grave chamar o número 317, eu. O painel havia quebrado e chegara a minha vez de fazer os exames. As memórias da minha infância estão sempre vivas, às vezes, me sinto como um menino, mesmo sem ter mais a minha bola de capotão debaixo da cama, do tênis bamba não existir mais e da minha mãe  não estar mais aqui para “soprar” o meu coração!  Talvez o meu melhor remédio, na minha vida inteira, foi a liberdade de viver colado junto a minha bola de capotão, de brincar na Rua Cinco de Julho, de sonhar em marcar um gol decisivo numa partida de futebol.
Trecho do Livro


LIVRO - ESTADO DE JÓ - DOR E SOFRIMENTO

QUANDO TUDO DÁ ERRADO

          Imagine um dia que começa como qualquer outro. Você se levanta para ir ao serviço e, chegando à firma, encontra as portas lacradas. A firma fechou, sem aviso. Você, inesperadamente, ficou desempregado. Tendo obrigações para cumprir, você decide ir ao banco para sacar dinheiro e pagar algumas contas que estão vencendo. Mas, chegando ao banco, eles dizem que sua conta foi fechada, sem explicação, e que você não tem nenhum centavo. O dia já está piorando. Você resolve voltar para casa, ainda tentando entender o que está acontecendo. Chegando perto de sua rua, você percebe vários bombeiros e ambulâncias correndo por todos os lados. Suas vizinhas estão na rua, chorando inconsolavelmente. Antes de você chegar até sua casa, um dos vizinhos chama você e fala palavras que jamais esquecerá: "Aconteceu tão rápido", ele diz, "que não foi possível salvar ninguém. A casa, de repente, explodiu. Todos que estavam dentro morreram. Eu sinto muito. Todos os seus filhos estão mortos."

          Alguns dias passam. Você acorda num lugar estranho. Olhando para seu redor, percebe que está num hospital. Você está sentindo dores terríveis, e uma coceira constante. Depois de algumas horas de sofrimento, a enfermeira avisa que está na hora de visita. No seu caso, várias pessoas serão permitidas entrar para visitá-lo. A primeira pessoa que entra no quarto é sua esposa. Precisando muito de uma palavra de consolo e de explicação, você olha para ela com tanta esperança, nunca imaginando o que ela vai falar. Ela chega perto da sua cama e começa a gritar: "Eu não entendo a sua atitude", ela diz. "Sua fé não vale nada. Você confia num Deus que fez tudo isso? Amaldiçoe o nome de Deus e morra!" Com essas palavras, ela sai do quarto. Enquanto você procura entender tudo isso, chegam alguns amigos seus. São velhos amigos, sempre prontos para ajudar. Agora será consolado! Mas, eles entram no quarto, vêem seu estado crítico e seu corpo desfigurado pela doença, e não falam nada. Ficam com a boca aberta, olhando, mas não acreditam. Depois de um longo período de silêncio, um deles fala: "Você mereceu isso. Você deve ter feito alguma maldade muito grande, e Deus está te castigando. Ele tirou todos os seu bens e matou seus filhos. Ele causou esta sua doença. Ele fez tudo isso porque você é mau!" Você começa discutir quando um dos outros concorda com o primeiro, e depois outro também concorda com eles. Não adianta discutir. Para eles, você é um detestável pecador que deve sofrer mais ainda.

          De repente, algumas crianças passam no corredor. Você se anima, porque crianças sempre trazem alegria e amor. Mas, estas crianças param na porta, vêem a feiúra do seu rosto e corpo, e saem correndo. "Nunca vi nada tão feio", uma delas comenta.
Tudo ficção? Jamais aconteceria uma coisa tão terrível? Modifiquei os detalhes para ajudar você, o leitor moderno, sentir na pele o que aconteceu na vida de Jó. O livro de Jó é, possivelmente, o primeiro livro bíblico escrito. Um homem fiel e abençoado por Deus perdeu, num dia só, todas as suas posses e todos os seus filhos. Logo depois, foi atacado por uma terrível enfermidade. A própria esposa foi contra este homem de Deus, e disse: "Amaldiçoa a Deus e morre" (Jó 2:9). Os amigos o condenaram e discutiram com ele para provar a sua culpa (a maior parte do livro relata essas discussões, começando no 2:11 e continuando até 37:24). Todos os conhecidos dele, até as crianças, o desprezaram (19:13-19).
          O livro de Jó trata de um dos assuntos mais difíceis na experiência humana: como entender e lidar com o sofrimento. É um livro rico e cativante que todos os servos de Deus precisam estudar. Um dia, mais cedo ou mais tarde, ele será útil na sua vida.

Trecho do Livro 

LIVRO - RUA CINCO DE JULHO - BURACO NA ALMA NO CAMPO DE SONHOS

LANÇAMENTO EM FEVEREIRO 2.016
Quando me deitei naquela noite sentia dor em todo o corpo, razão pela qual quão grande foi o meu esforço o dia todo. Ao sentir que o sono estava chegando, via alguns fleches de luzes amarelas que cansavam meus olhos. Vinha em minha mente o gol incrível que eu havia perdido e a grande defesa no nosso goleiro Cação. Todas as noites, antes do sono chegar, pensava como seria marcando o gol do título, numa grande final de campeonato, ainda mais que na única final que eu havia disputado na vida, perdemos de três a zero. Lembrei-me da tristeza que foi quando perdemos o jogo e o título. Lembrei-me do meu amigo Ratinho, que driblou o goleiro, me deu um passe açucarado e chutei pra fora. Lembrei-me também que ele havia sido chamado por Deus uma semana após perdermos o título, e com nove anos de idade, foi muito difícil eu entender. Sonhava com ele quase todos os dias e no sonho, ele me passava a bola e eu devolvia pra ele marcar o gol.
                   Sonhar com pessoas do passado é muito comum. Essas pessoas podem ser aquelas pessoas que gostávamos ou não e que se foram, faleceram. Estes tipos de sonhos têm um significado simbólico. Algumas das pessoas nesses sonhos podem simbolizar características e traços de personalidade semelhantes ao seu ou representam aspectos sobre si mesmo que você gosta ou não. Se você sonhar com alguém que você conheceu que era muito agressivo essa pessoa pode representar a sua própria agressividade ou representar alguém que está sendo agressivo com você agora. O que este tipo de sonho está tentando lhe dizer sobre você mesmo ou outras pessoas em sua vida?
                   Se você sonhar com amigos da sua infância, isso pode significar que você tem saudade de um tempo passado, quando você tinha menos pressões e responsabilidades. Também pode simbolizar o estresse ou pressão que você teve em sua própria vida enquanto crescia. Alguns desses velhos amigos podem representar esses estressores. Na verdade, você pode estar enfrentando esses mesmos fatores de estresse em sua vida de vigília adulta (seja em um relacionamento ou no seu emprego), como ocorria quando você era uma criança. Estes velhos amigos de seu passado também podem lembrá-lo de algumas pessoas com os quais você está lidando em sua vida diária atual, tanto seus olhares, comportamentos ou ações - boas ou ruins. Às vezes os sonhos com amigos de infância indica que você teve alguns negócios inacabados com essas pessoas (como o passe que recebi do Ratinho e chutei pra fora), pode representar algo que você gostaria de ter feito diferente. Além disso, pode haver alguém em sua vida de vigília agora que desperta os mesmos sentimentos dentro de você. Se você sonhar sobre as pessoas que o magoaram, eles podem aparecer quando você está enfrentando pressão de desfazer em sua vida de vigília. Talvez você só pode estar faltando a pessoa no seu sonho, ou que tipo de amizade valorizado. Se você está tendo sentimentos de fracasso em sua vida atual e você tem velhos amigos que você sabe que se tornaram mais bem sucedidos do que você, seu subconsciente pode trazê-los em seu sonho por causa de seus medos, inadequações e ciúmes.
                   Às vezes, velhos amigos que você teve um desentendimento aparecem em seus sonhos. No sonho você tentar abordá-los de uma forma amigável, mas é rejeitado. Isto pode representar sentimentos de culpa, tristeza e perda, ou que você nunca se reconciliou. Às vezes, esses sonhos podem ser recorrentes, que pode estar provocando ansiedade e irritante.
Sempre olhe para as situações que acontecem com as pessoas em seus sonhos. Ao fazê-lo, isso vai ajudar você a entender as mensagens que o sonho pode estar enviando sobre si ou sobre o seu relacionamento com os outros.
                   Eu quis muito pedir uma bola nova ao meu pai no dia do meu aniversário, mas estava mesmo precisando de um tênis novo. O meu bamba branco estava todo detonado no bico de tanto chutar no gol. Eu gostava de chutar de longe, testar o goleiro, surpreendê-lo e, assim, não havia tênis que resistia. Comprar um Ki-Chute nem pensar; Era muito caro e eu tinha medo de pedir para meu pai. Meu pai dizia que o Ki-Chute era “pra gente rica”, mas me contentava com o tênis bamba. Fazer aulas de educação física, jogar bola na rua de terra, na quadra de cimento quebrado na escola... Sempre de bamba!
                   Acordei assustado na sexta feira, pensando ser sábado - Vai ter jogo decisivo contra os caras da Rua Marcos Portugal! Vieram me avisar logo cedo. O jogo seria no sábado. Fui ao banheiro e ouvi minha mãe conversando com minha Tia Isabel na cozinha. Senti aquele aroma doce do café que minha mãe fazia. Fui até a cozinha dar bênção à minha Tia, que me abraçou e me deu um caixa embrulhada em papel de presente.  Lembrei que era o dia do meu aniversário. Meus olhos se arregalaram quando olhei para minha Tia e minha Mãe com um sorriso largo no rosto. – Obrigado Tia Isabel!  Abri a caixa e meus olhos se arregalaram novamente quando vi o presente: Era tudo que eu queria ter: Um calção preto com uma listra branca vertical dos lados. Combinava com a minha camisa branca e meu meião também branco.  - Só falta um tênis novo. Disse, olhando para minha Mãe. Até então, a data do meu aniversário, apesar do presente, estava em segundo plano, afinal, no dia seguinte  teríamos um jogo decisivo contra os caras da Marcos Portugal e eu estava concentrado no jogo. Quando disse que faltava o tênis, senti um ar de melancolia na expressão facial da minha mãe. Tomei o meu leite com café e fui para a rua me reunir com os caras do meu time e combinar a estratégia para vencermos o jogo. No meio da rodinha com os amigos, percebi que minha mãe havia saído à francesa de casa. Foi em direção a Rua Vergueiro, no ponto 22, onde tinha comércio, padaria etc. Depois de quase uma hora, percebi minha mãe entrando de fininho em casa segurando um pacote. Pensei no bolo, afinal, apesar de não me fazer importância, era o dia do meu aniversário, mas tinha o jogo contra os caras da Rua Marcos Portugal e valendo flâmula!
                   Continuei conversando com os amigos e observando a garoa fina que começara a cair. A Rua Cinco de Julho era de terra e se a garoa apertasse teríamos que decidir o jogo no barro. Imaginei como ficaria a cor da minha camisa e do meu bamba, brancos. Ao colocar os meus olhos de frente à Rua da Transmissão me veio várias pessoas à mente. Várias situações, muitas festas, muitas alegrias e você que está lendo esse livro pode ter certeza que me lembrei de você, na Rua Cinco de Julho:
                   Quando anoitecia, depois de voltar da escola e jogar o meu futebol na rua, minha mãe preparava o jantar e eu não tirava os olhos do prato do meu pai. Pensava um dia ser forte como ele para ter um chute possante e ser o artilheiro do time da escola. Após o jantar, subia as escadas e antes mesmo de chegar à rua, olhava para o céu e tentava descobrir diante de milhares de estrelas, qual tinha o mais intenso brilho e sonhava com um futuro alegre e pedia a Deus para que a minha família e os meus amigos sempre estivessem bem perto de mim. E daquele cenário eu não tirava os olhos da placa grudada no poste em frente à casa do Seu Mario e da Dona Vitalina, em que se lia RUA CINCO DE JULHO.
                   E as lágrimas que caíam do meu rosto nas várias vezes que sonhava que estava brincando na Rua, se confundiam com a desilusão de ver minha bola de capotão estática, “sentada” no telhado da casa da Dona Geni, da Dona Alice, no quintal da Dona Violeta ou do Seu Valter, pai do Chico Louco, esperando o dia amanhecer para que de uma forma ou de outra eu pudesse tê-la novamente em minhas mãos, em meus pés, mesmo mordida pelos cachorros, para que ela pudesse ser o complemento de tantas histórias que eu viveria no templo sagrado chamado RUA CINCO DE JULHO.

                   - Tinho! Vem pra dentro! Tá garoando!
Minha Mãe estava me chamando. Resolvi entrar e descobrir o que ela tinha ido fazer no ponto 22. Entrei em casa correndo, sem antes dar uma volta no pé de limão que ficava bem no meio do quintal. Entrei na cozinha numa vula e dei de frente com minha Mãe segurando uma caixa.

                   - Tome meu filho! É pra você!
Era uma caixa contendo um par de bamba branco, novinho, número trinta e cinco! Dei um longo abraço em minha Mãe, afinal, era o dia do aniversário dela também, nascemos no mesmo dia. Não demorou muito tempo e fui para a Rua com o tênis no pé, calção preto que ganhei da minha Tia Isabel e minha camisa branca. Apesar da garoa, minha mãe não achou ruim, pois afinal era dia do nosso aniversário.
                   Meu irmão trouxe a bola de capotão e começamos a brincar na Rua. Não demorou também para estarmos todos sujos de barro, mas aquele dia, minha mãe poupou a bronca.  
                - Tinho! Vem tomar banho! Tá na hora de ir para a escola!
Entrei correndo em casa, tomei banho, coloquei o uniforme do Grupo Escolar Professor Odon Cavalcanti e fui para a escola. Chegando à sala numero dois, a Professora Julieta estava com um sorriso largo no rosto. Foi só me sentar que todos se levantaram e começaram a cantar parabéns a você!

          Foi então que caiu a minha ficha. O fato de termos jogo decisivo no sábado contra os caras da Rua Marcos Portugal, valendo flâmula, fazia com que eu me esquecesse de que era o dia do meu aniversário. Recebi os cumprimentos de todos os meus amigos e sai da sala para ir até a copa buscar uma faca para cortar o Bolo Pullman que minha mãe havia enviado para os “parabéns a você”. 
Trecho do Livro
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LIVRO - OS OLHOS DO CENTURIÃO - 2a. EDIÇÃO

Um menino encontrou um bilhete caído no chão. Ainda era muito novo para entender o sentido do bilhete que havia caído do meio de um livro de muitas páginas, que ele ainda não sabia o porquê. Mas, teve em seu pensamento uma certeza que aquilo era um aviso para nunca desistir... Sentiu isto na alma, no fundo do coração. Resolveu guardar o bilhete consigo e teve este como sua oração. Com o tempo foi lendo e entendendo aquele livro que o ajudou em muitos momentos difíceis. Depois, homem feito, teve em sua vida uma desilusão, como muitas... Teve um de seus poucos prazeres impedido de realizar. Talvez isto tenha um significado muito forte, que neste momento, muito triste, este homem não possa perceber, em razão da cegueira que provoca a tristeza que habita o seu coração. Entretanto, apesar de toda a tristeza, este homem ainda guarda o mesmo livro, aquele que o ajudou a entender melhor a vida e o tornou mais próximo de Deus... O Livro, você já percebeu... O bilhete resumia o seguinte: Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo.
 Trecho do Livro


LIVRO - ALGUMAS PALAVRAS _ VI - O SENTIDO DA VIDA

A VIDA NÃO TEM SENTIDO
Estava próximo de realizar mais uma palestra, quando a coordenadora do evento me chamou e disse que havia uma pessoa que gostaria de falar comigo. Coloquei-me disponível para estabelecer o diálogo, mas a lembrei que faltavam quinze minutos para iniciar a apresentação, que seria às vinte horas. Ela disse que seria breve, ele estava nervoso e recém-saído da penitenciária, mas desejava falar. Eu confesso que estas últimas informações alteraram minha disposição em falar com ele, afinal, creio que a conversa seria longa. Mas vamos lá. Apresentou-se a mim um homem no vigor de seus 45 anos que foi diretamente, sem devidamente apresentar-se, dizendo:
- A vida não tem sentido!
Mediante ao descontrole da situação, não do rapaz que parecia certo do que estava dizendo, ele, diante do meu silêncio insistiu:
- A vida não tem sentido!
Nisso faltavam apenas três minutos para a apresentação e o máximo que pude dizer a ele é que precisava iniciar o trabalho, mas tentaria, durante a palestra esclarecer sobre suas inquietações. Realizei meu trabalho e ao término da apresentação não pude ver mais o homem, que se perdeu no tumultuo das pessoas e dos autógrafos dos livros. Mas a expressão dele afirmando sua descoberta sobre a vida me perseguia o pensamento. Naquela noite retornei para casa viajando quatro horas, e pensando na expressão
contundente daquele homem, sobre sua impressão da vida e tudo mais. Após horas de reflexão, guardando sempre o olhar fixo e forte do homem, cheguei a uma conclusão pessoal sobre o assunto:
- A vida não tem sentido!
É isso mesmo, percebi que o homem tinha razão, a vida não tem nenhum sentido. Deus, em sua grandeza e sabedoria, respeita a liberdade de cada criatura e nos oferece uma vida sem sentido algum, para que cada um possa colocar o sentido que quiser. A partir desta data, sempre que alguém me diz que a vida não tem sentido, eu respondo: 
– Você pos algum
Se não colocou, claro que não tem! Cabe a cada um de nós, encontrar algo na vida que faça com que ela valha a pena, compete a cada um dar um sentido à vida que tem, ou ela nunca terá sentido. Para que você vive? Qual razão lhe faz acordar todos os dias?
Na questão 920 de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec pergunta: 
- O homem pode gozar de completa felicidade na Terra? 
O obtêm como resposta:
- “Não, por isso que a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Dele, porém, depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra”.
Fica evidente que compete a cada um edificar a própria felicidade, afinal ela é subproduto de uma vida reta e pautada pelas bases sólidas das diretrizes apontadas por Jesus e assim, encontrarmos algo pelo qual valha a pena acordar todos os dias, além da graça e beleza natural da vida.
Trecho do Livro

LIVRO - ALGUMAS PALAVRAS _ V - O INÍCIO E O "FIM"

Quantos anos tem a Terra? Os cientistas tem encontrado evidencias de que a terra é antiquíssima. Isso cria um conflito entre eles e certos cristãos que acreditam que a Bíblia diz claramente que faz pouco mais de seis mil anos que Deus criou o Universo. O cristão deve reconhecer certos fatos ao interpretar a narrativa da criação. Em primeiro lugar, Gênesis não apresenta datas, e não se pode levar em consideração as genealogias para efetuar cálculos exatos, pois nelas há alguns vazios. Mesmo considerando os grandes avanços científicos atuais e as melhores análises exegéticas e teológicas, não é possível precisar a idade do Universo nem quanto tempo levou o ato da criação. É provável que milhões de anos tenham passado entre os versículos 1 e 2 de Gênesis. O certo é que Deus é o Senhor do tempo, espaço, matéria e de toda a energia, e não se deixa limitar por nenhuma dessas dimensões. A palavra “dia” para Deus pode significar o período de 24 horas como também toda uma era geológica de extensão indefinida. A palavra hebraica usada em Gênesis 1 para dia (yôm) pode ser utilizada para designar tanto um período de 24 horas como uma representação simbólica. Existem várias passagens na Bíblia em que yôm é usada num contexto não-literal, como em “o dia do Senhor”, sem que isso signifique 24 horas.

          Agostinho de Hipona em seus livros Comentário ao Gênesis; Confissões e a Cidade de Deus, repetidas vezes volta para questão do tempo em relação ao capítulo 1 de Gênesis, concluindo que Deus se encontra fora dele e não conectado a ele (2 Pedro 3.8 declara isso de modo explícito: “Mas, amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia”). Isso leva Agostinho a questionar a duração dos sete dias literais da criação. Por fim, Agostinho escreve: “Que tipo de dias eram aqueles, para nós, é extremamente difícil ou talvez impossível, conceber”. Diversas interpretações continuam a ser difundidas sobre o significado de Gênesis 1 e 2. Algumas em particular oriundas de cristãos sinceros, insistem em uma interpretação completamente literal, incluindo os dias de 24 horas. Com base em informações genealógicas do Antigo Testamento que vieram em seguida, chegam à conclusão que Deus criou os céus e a terra a menos de 10 mil anos. Cristãos igualmente sinceros não aceitam a condição de que os dias da criação tinham 24 horas, embora aceitem a narrativa como uma representação literal e sequencial dos atos criativos de Deus. Apesar dos 25 séculos de debate entre ciência e religião, é justo dizer que nenhum ser humano sobe interpretar com precisão Gênesis 1 e 2.
Trecho do Livro

LIVRO - SANTO AGOSTINHO - FILOSOFIA, CONFISSÕES E LIVRE-ARBÍTRIO

Toda a trajetória humana consiste em uma busca progressiva de respostas, na qual o homem procura superar a si mesmo em meio aos conflitos existenciais em direção à almejada verdade libertadora. Efetivamente, importa em um primeiro momento questionar: como se chegar a essa verdade? E ainda, o que é a verdade? Ao se questionar qual o meio prático mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir ao arrastamento do mal, Santo Agostinho responde em O Livro dos Espíritos: Um sábio da Antigüidade vos disse: ”Conhece-te a ti mesmo”. Tal aforismo, já inscrito no oráculo de Delfos, nos leva inicialmente a entender que a libertação e alegria do Espírito não consistem em um estado, mas em um processo de busca da verdade em si mesmo, o qual define-se, consoante a pedagogia socrática, em dois momentos: a ironia e a maiêutica. Através da ironia, ou arte da interrogação, Sócrates levava o discípulo a afastar toda idéia falsa ou ilusão que tivesse do mundo e sobre si mesmo, induzindo-o a chegar à verdade por si mesmo. Tal procedimento visa inicialmente pôr a descoberto a vaidade, desmascarar a impostura e seguir a verdade. Ao atacar os cânones oficiais, a ironia socrática parece ter uma feição negativa e revolucionária, no entanto, esse primeiro momento do processo de autoconhecimento é autêntico, uma vez que visa à purificação da alma por via da expulsão de idéias obscuras e ilusórias que esta possui sobre si e que na verdade distanciam a alma de si mesma. A melhor maneira de promover o auto-aperfeiçoamento, afirma Sócrates, é por meio do auto-exame através deste reencontro consigo mesmo que se torna possível o renascer da própria consciência, a parturição, ou seja, o trazer à luz as próprias idéias. Apenas aquilo que é decidido de dentro para fora é autêntico e pode nos libertar. Efetivamente, a posse da verdade consiste em uma operação não apenas vital, mas pessoal, em que a forma interrogativa ou dialética permite ao discípulo relembrar a verdade adormecida em sua alma. É assim que Agostinho de Hipona nos descreve o itinerário dessa busca de autoconhecimento diante de tantos conflitos existenciais que afligiam sua alma quando, dilacerado pelas vaidades e paixões, desperta para as verdades cristãs.
Trecho do Livro