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24 de abril de 2016

LIVRO - DO OUTRO LADO - UM NOVO FINAL - 2a. edição



A mesa estava fria, tal como as mãos do médico que trabalhava para me tirar a pequena vida cujo coração só recentemente começava a bater. Senti vergonha e uma dor terrível por permitir que este médico tirasse de mim o meu bebê. No silêncio e no meu desespero, podia ouvir uma voz muito baixa que estava a chamar a minha atenção.
               Era como se a voz dissesse:
               "Não, por favor, não... Por favor, não."
Mas foi tarde demais. A voz desapareceu junto com o corpo pequenino. Que vergonha, culpa e depressão me seguia. Como foi possível eu fazer uma coisa tão egoísta e má? Que tipo de ser humano sou? Eu queria morrer. 
               Quando estava pronta para sair da clínica, reparei numa enfermeira a colocar um cartão na gaveta.  Supunha que tinha o meu nome e toda a informação sobre o meu bebê morto. Então, é assim pensei eu, A vida do meu bebê num cartão que vai ficar dentro de muitos outros, num gabinete. Posso saber o que está escrito no cartão? Será que era um rapaz ou menina? Claro que não - Ouvi dizer que não é possível de se saber tão cedo. Por intuição penso que era um rapaz.
             Mas como era o meu bebê? Mas em vez de ter nos meus braços um bebê vivo que respirava, e que um dia iria correr rir e amar, só existia um cartão com palavras. Continuei a pensar mais: E se alguém conhecido começar a trabalhar nesta clínica e vir o meu nome nas fichas? Sentia-me muito envergonhada. Preocupava-me com a minha reputação. O meu aborto aconteceu há doze anos. Foi num mês de Novembro - e a cada outono, quando vejo as folhas das árvores mudarem de cor e caírem , lembro-me da minha queda quando matei o meu próprio bebê.  Todavia apesar daquele dia tão terrível, desde então eu vim a conhecer um Salvador que me ama. Soube do seu perdão e agradeci-lhe por isto, mas nunca me sentia perdoada. Eu chorava muitas vezes pedindo-lhe para tirar-me a culpa e o sofrimento, mas parecia não haver resposta. Até que uma noite eu tive um sonho tão real até ao ultimo detalhe. No sonho estava na clínica, a olhar a enfermeira a colocar o cartão na gaveta. Sentia um peso enorme ao meu redor, que quase não conseguia respirar. De repente um homem apareceu ao lado da enfermeira. Ó não! Será alguém que conheço? Alguém vai descobrir o que eu fiz.  O homem virou-se para mim. Eu vi o seu rosto. Não, por favor, Ele não... Qualquer pessoa, menos Ele. Era Jesus!
 - Saia, se faz favor, dizia eu. Não deve estar neste lugar horrível. 
Mas Ele não saia. Em vez disto, mansamente, Ele tirou o cartão da mão da enfermeira. Eu comecei a tremer na medida em que eu via os seus olhos absorver a realidade do que eu tinha feito. Lentamente Ele curvou a cabeça e começou a chorar. Sentia-me tão mal porque eu era a razão d'Ele ter vindo àquele lugar. Eu caí ao chão em desespero. Senti as suas mãos nos meus ombros e olhei para os seus olhos, esperando a sua ira. Mas não via nem ira nem condenação, só compaixão. O seu rosto refletia tristeza, e percebia que era mais profunda do que a minha. Ele abraçou-me e eu coloquei a minha cabeça no seu peito. As nossas lágrimas caiam juntas. Finalmente ele começou a escrever algo no cartão. Eu vi e descobri que Ele tinha escrito o seu próprio nome em cima do meu pecado. O seu nome estava escrito num vermelho tão forte que não mais conseguia ler o que estava escrito em baixo. Ali, no seu próprio sangue, o nome de Jesus Cristo cobriu o meu pecado. O peso saiu de mim e enquanto olhava nos seus olhos brilhantes Ele sorriu e sussurrou: Tudo acabou. Finalmente compreendi. Não há condenação para aqueles que acreditam em Jesus, só perdão. A culpa já passou - sou perdoada e livre do passado, agora posso andar com Jesus com felicidade e paz.
TRECHO DO LIVRO


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