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24 de abril de 2016

LIVRO - RUA CINCO DE JULHO - BURACO NA ALMA NO CAMPO DE SONHOS

Ao adormecer, me vi num corredor estreito, iluminado por luzes fortes, amarelas e repleto de fumaça branca. Estava frio e comecei a escorregar em curvas, como se fosse um tobogã, até chegar à ponta de baixo de uma grande escada branca onde avistava bem lá no alto uma grande porta.
- Suba Tinho! Suba!
Uma voz de menina pedia para eu subir as escadas.
- Mas eu não posso subir essas escadas! São muitos degraus e eu tenho arritmia. Posso ter uma crise!
- Suba Tinho! Suba!
- Mas quem é você?
- Suba Pai!
Não foi difícil subir as escadas, pois parecia que estava voando e ao invés do esforço me provocar uma crise, sentia meu coração cheio de amor e paz. Ao chegar à porta, ela mesma se abriu sem ao menos eu bater e de dentro uma voz perguntava o que eu estava fazendo ali, e respondi:
- Eu vim chamar a minha mãe. Ela precisa soprar meu coração! Meu coração está doendo!
- Deixa que eu chamo! Disse a menina, de vestido vermelho.
Foi então que a porta se fechou e eu fiquei do lado de fora, descendo os degraus como se “pássaros com grandes asas” me conduzissem. Olhei para trás e vi a menina de vestido vermelho me dando tchau e gritei perguntando seu nome:
- Anna!
Olhei para a janela lateral e vi que ainda estava escuro. Perdi a noção do tempo naquele momento. Estava deitado em minha cama, olhando para algumas estrelas que apareciam no céu. O
céu me parecia tão perto e o brilho das estrelas iluminavam o meu quarto. Fui até a cozinha preparar um copo de leite com café e senti que parecia ter alguém na sala. Pelo espelho do banheiro, que refletia o sofá da sala, vi uma menina pulando no sofá como se fosse uma cama elástica. Tive a sensação de que se ela me visse, iria parar de pular, mas eu não queria que ela parasse. Fui devagar até a minha cama, me deitei, mas conseguia ainda vê-la na sala, pulando no sofá. Ela estava ali, na minha frente, sorrindo pra mim!
- Anna. Minha filha!
Agora de vestido branco, acariciando os meus pés e indicando que eu tomasse um copo com água que estava no criado mudo, ao lado dos remédios que eu havia ingerido, ao lado do retrato onde eu e ela estávamos abraçados e sorrindo. Eu tentava me levantar para abraçá-la, mas não conseguia, e ela fazia um sinal, como se estivesse pedindo para eu ficar quieto, deitado, sem me esforçar e mesmo afoito, resolvi obedecer. Eu precisava de um remédio. Eu precisava dela e Deus me fez vê-la, provando a mim, mais uma vez, que ELE existe.
- Descanse bem, pois amanhã tem jogo!
- Jogo?
- Sim Tinho! Contra os caras da Rua Marcos Portugal! Lembra?
- Como você sabe menina?
- É tudo que você sempre quis, não é? Marcar um gol num jogo decisivo!
Se eu pudesse falar e você ouvir, queria lhe dizer tantas coisas, mas Deus só permitiu que eu visse o sorriso de Aneobalda, depois do diálogo, vindo à direção dos meus olhos para fazer com que meu coração explodisse em bater, mas sem arritmia, somente de alegria e contentamento.
- Descanse bastante, Tinho!
- Tá bom!
- Você precisa ficar bem para poder marcar o gol da vitória! O jogo vai ser muito importante! Será contra os caras da Rua Marcos Portugal e vai valer troféu, medalha e flâmula!
- Tá certo, mas eu preciso ainda comprar o meu tênis bamba!
- Sua mãe já comprou e nós já sopramos seu coração! Vá é marque o gol da vitória. Estaremos torcendo por você e seu time, e depois, quando o jogo acabar, suba novamente as escadas, não vai doer. A porta irá se abrir e estaremos te esperando para lhe abraçar. Vou correr em teus braços e como criança, você vai me girar no ar. Esse é o melhor momento, a hora de te encontrar, pai!
TRECHO DO LIVRO

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