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1 de junho de 2015

QUE SE QUEBREM AS ONDAS DO MAR


...O que me restou foi um casebre abandonado e fechado, uma cabana velha, um jardim como nunca visto e uma paisagem magnífica em que eu podia ver as ondas se formarem, avançarem em direção aos rochedos e se quebrarem, como num sincronismo, como se aquilo determinasse o tempo, um ciclo de vida, uma rotina, como se aquilo fosse o relógio da minha subsistência. Alguns dias depois resolveria visitar o casebre. Queria alguma pista de tudo aquilo e de Billy, principalmente. Estava toda fechada e por algumas frestas podia ver que estava tudo bem arrumado, como se ainda tivesse alguém morando. Tentei abrir a janela, mas existia um trinco difícil de ser aberto. Quando apontei na porta da frente, notei que estava semi-aberta e com a força do vento, acabou se abrindo justamente quando eu acabara de me aproximar. Assim, entrei no casebre. Logo na entrada senti uma sensação agradável, certo conformo, como se aquele lugar fosse sagrado. Andei vagarosamente pelo casebre reparando cada detalhe. Os móveis estavam todos alinhados e quando cheguei ao quarto tive uma sensação de arrepio ao ver a cama onde a velha senhora esteve agonizando. A cama estava devidamente arrumada, com roupas novas e perfumadas. Os raios de sol clareavam o quarto de tal maneira que refletiam cores ao ambiente. O único detalhe que me perturbou foi o porta retrato que vi caído no chão. Talvez pelo vento, talvez no calor daquela reunião misteriosa que havia acontecido antes do sumiço do Billy. Ao recolher o porta retrato do chão, notei que, nele, havia o retrato de uma mulher serena. De olhos dominantes, cabelos avermelhados, estampando um sorriso capaz de hipnotizar quem o visse. Jurei que já havia visto aquele sorriso, aquele ar sereno, mas não conseguia recordar. Sente-me na beirada da cama e fixei meu olhar no porta retrato retorcido e dobrado pela queda. Embaixo da foto um nome que com certeza seria daquela mulher que refletia seus olhos aos meus e mesmo que em lado oposto do meu alcance, remetia a mim toda a sua observância. Senti uma ansiedade imensa para saber o nome daquela mulher e tive que desarmar a foto do porta retrato para que pudesse vê-lo. Assim que consegui, fiquei por alguns minutos examinando cada letra daquele nome que magicamente me fazia remeter a uma sensação de paz, alegria, felicidade, contentamento e harmonia: Laura Mars. Esse era o nome que autografava o porta retratos e com certeza era o nome daquela mulher hipnotizante, diferentemente daquela velha senhora que havia definhado naquela situação até certo ponto sinistra em que resultou no desaparecimento do Billy. No dia seguinte, ainda intrigante com o nome daquela mulher, resolvi voltar ao casebre, pois lá eu me senti bem e talvez recebendo um pouco mais de serenidade pudesse destrinchar o mistério daquela mulher. Assustadoramente, mirei-me ao jardim e já não existiam mais flores, os pássaros não faziam mais voos rasantes e por incrível que poderia parecer não existia mais o casebre, não existia mais nada. Deite-me na areia ceguei-me ao olhar para o sol escaldante e senti minha mente perturbada, confusa. Foi então que resolvi nadar até os rochedos na esperança maluca de poder encontrar Billy, de poder ter uma explicação para tudo aquilo que estava acontecendo comigo. Um imenso mar azul à minha frente foi o que me restou.
TRECHO DO LIVRO

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