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10 de janeiro de 2017

LIVRO - O CÉU TEM QUE ESPERAR

Quando Pedro ficou sabendo que Sofia estava grávida do primeiro filho, estava na estrada rumo a visitar um cliente distante, que lhe renderia uma boa comissão.
    *  Amor! Amor! Deu positivo! Deu positivo!
Sofia passava o tempo todo conectada, seguindo os passos do marido aonde ele ia. Pedro sempre foi fiel à Sofia, não dava motivos para ela desconfiar de qualquer coisa, mas como ficava conectada, Pedro tinha que estar o tempo todo online.
    * Querido! Não se esqueça de trazer as batatas fritas, vem logo para não chegarem frias e tem que ser as do McDonald´s. Se estiver fechado, tenta o drive thru!
Existem casais que foram feitos um para o outro. Esse era o caso de Pedro e Sofia. As manias de Sofia não perturbavam Pedro, o que, diferentemente, se fosse casado com outro homem, com certeza o casamento não daria certo, pois na concepção de vários amigos, Sofia era verdadeiramente chata em pessoa!
    * Querido! Onde você está? Já mandei várias mensagens e não responde. Você está online?
Sofia e Pedro tinham resolvido não saber antecipadamente o sexo do bebê, mas Pedro ficou muito ansioso. Sofia sabia que Pedro tinha preferência por um menino, mas se viesse uma menina, ele ficaria contente do mesmo jeito:
*    Querido! Precisamos começar a comprar o enxoval. Como vamos fazer?
*    Compra tudo branco, amarelo ou verde!
*    Não amor! Vamos saber antes! Sei que está ansioso por isso!
*    Está bem!
Sofia realizou o pré-natal e tinha consultas todos os meses. A gestação transcorreu tudo normal, só que de vez em quando Sofia “judiava” de Pedro, que fazia tudo que ela queria na mais perfeita tranquilidade.
*    Mô estou com vontade de comer caju!
*    Eu estou dirigindo amor! Quando eu chegar em casa a gente combina!
*    Quero agora! Estou com vontade agora!
*    Tá bom! Vou passar no supermercado antes de voltar para casa!
*    Te amo!
*    Também te amo amor!
    Pedro estava numa excelente fase em sua vida profissional. Corretor de Seguros, atendia vários clientes em todo estado, grandes empresas, que lhe garantia uma excelente remuneração. Quando chegou o dia da ultima consulta do pré-natal, Pedro e Sofia resolveram saber o sexo do bebê: Se fosse um menino, seria batizado como Pedro Junior e se fosse uma menina, Stephanie. O médico posicionou-lhes que estava tudo bem, que o bebê estava na posição correta para o parto e, mostrando a eles no monitor, informou que nasceria um meninão. Pedro deu pulos de alegria e fez o maior escândalo no consultório médico, como se a criança já teria nascido!
    * Mãe! Vai ser um menino! Pedro Junior!
    * Que bom minha filha! Liga para seu pai!
Os pais de Sofia eram separados e Sofia nunca se deu bem com o pai e só falava com ele, às vezes, pelas redes sociais, cujo Sofia era vidrada e “viciada”.
*    Mô! Agora você já pode comprar tudo azul, até o berço!
*    Sim querida! Vamos comprar tudo azul!
    Pedro não cabia em si de alegria e o mais importante para ele foi que Sofia estava bem, alegre e tranquila. Só faltava ele formalizar junto ao hospital sua assistida ao parto, onde também iria filmar e registrar o grande momento de sua vida. Pelo cálculo do médico, o bebê iria nascer bem próximo do aniversário de Sofia, dia nove de novembro, o que seria mais uma grande alegria!
*    Já pensou amor! Nascer no mesmo dia do
seu aniversário!
    * Seria incrível!
    * Vou ter que sair amor! Estou dirigindo e não posso ser multado. À noite a gente conversa.
    * Não sai não amor! Vamos continuar conversando!
    * Não dá não! Olha aqui! Quase bati!
Sofia usava todas as redes sociais para conversar com Pedro, o dia inteiro. Pedro viajava muito de carro para visitar os clientes e fechar seus negócios e Sofia o tempo todo no pé dele. Pedro não se incomodava, mas o risco de sofrer um acidente era iminente, pois Sofia não sossegava e o telefone smartphone ou o laptop era como se fosse parte de seu corpo: Não existia sem eles. A preocupação de Pedro começou quando tiveram o primeiro alarme falso: Pedro estava na estrada, vindo de uma reunião com um cliente e Sofia mandou-lhe um messenger dizendo que estava sentido fortes dores. Se Junior estivesse mesmo nascendo, Pedro não chegaria a tempo de assistir o parto, filmar, fotografar, como tanto queria. Assim, como seus negócios estavam prósperos, Pedro resolveu se ausentar do trabalho até que Junior nascesse. Pedro passava os dias paparicando Sofia até chegar a hora do parto. Pedro Junior ainda não tinha nascido, mas já fazia parte de um grupo numa rede social onde existiam membros das famílias de Sofia e Pedro, tinha também o nome gravado na camisa do time de futebol preferido do pai, não o da mãe e o quarto estava tudo azul, exceto o berço que ficou na cor branca para dar um aspecto de céu no quarto.
*    Querido! Onde você está?
*    Estou no mecânico fazendo a revisão do
carro!
    * Corre pra casa querido! Acho que chegou a hora!
Sofia não esperou por Pedro e seguiu de taxi para a maternidade, junto com a mãe e uma irmã. Estava tudo bem com Sofia, o bebê iria nascer, mas estava tudo sob controle. Pedro ainda teve que ficar esperando o carro ficar pronto, mas não poderia esperar mais senão não teria como chegar a tempo de assistir ao parto. Foi assim então que Pedro saiu da oficina em disparada para a maternidade. Estava chovendo muito naquela tarde e a pista escorregadia. Pedro dirigia além dos limites e via chegar mensagens de Sofia em seu smartphone a todo o momento:
    * Chega logo querido!
    *  Vem logo!
    * Corre!
    *  Amor! Onde você está? Vem logo!
Ao passar por um túnel que ligava os dois lados da cidade, Pedro não se deparou com a pista irregular e um carro quebrado do lado direito. Não teve visibilidade e quando estava respondendo no messenger “querida eu te amo”, bateu violentamente na traseira de um carro furgão que seguia lentamente à sua frente, em razão da pista estar irregular: Foi fatal. Imediatamente o transito parou e as pessoas desciam do carro para socorrer Pedro, mas ele teve morte instantânea, no meio dos ferros retorcidos que sobraram do veículo.
Continua
TRECHO DO LIVRO

22 de dezembro de 2016

LIVRO - SINAIS

Na noite de Natal haverá no céu uma estrela que vai brilhar mais do que todas as outras e vai lhe trazer um enorme contentamento: Feliz Natal! Quando o senhor olhar para o céu, tenho certeza que vai sorrir antes de chorar. Não fique triste, não chore, não fique com essa dor em seu peito, não volte para cama e não durma antes de olhar para o céu novamente. Eu quero que o senhor me veja no brilho das estrelas e também quero olhar para o senhor novamente. Sou eu pai! Sou eu! Pode acreditar! Quanto mais a estrela brilhar, mais estarei feliz e quero dividir a minha felicidade com o senhor. Não desista meu pai. Não precisa se preocupar, pois eu estou bem ao lado de Deus. Deus ficou tão feliz quando eu cheguei aqui! Ele me abraçou, chorou e disse que estava com saudade de mim, que eu sempre fui um anjo preferido! Veja pai! Tudo é alegria! Tudo é felicidade! Já faz algum tempo que cheguei aqui no céu, mas sei que para o senhor é como se fosse ontem. Eu sei que é muito triste ficar longe de alguém que a gente ama tanto, tanto... assim como eu, o senhor, minha mãe e meu irmão, mas sei quão grande é o seu coração, bondoso, caridoso e generoso. Pai, não fique chorando escondido, pois eu estou vendo e Deus também. Chore sim, mais chore de felicidade, pois o lugar que eu estou é maravilhoso e Deus é tão bonzinho... tão bonzinho, assim como o senhor sempre foi comigo. Pai, daqui do céu eu vejo que existe uma "luz" dentro de ti, que conduz os teus passos e toda vez que o senhor orar a Deus, a luz brilhará! E mesmo que o senhor estiver na "escuridão", fique em paz meu pai, pois Deus habitará na luz do teu ser. E se o teu caminho for difícil, cheio de pedras, obstáculos e espinhos, use o poder da tua paciência e perseverança, pois na tua dificuldade um farol se erguerá e a luz brilhará, mais e mais... A luz se fará dentro de ti! Pai, siga tua vida, seja feliz! Daqui eu vou continuar vibrando pela tua luz e no dia que a gente se reencontrar... Bem, daí acho que poderemos chorar... e se aparecer à  nossa frente um enorme pássaro colorido, não se assuste pai! Nós vamos voar para um lugar maravilhoso e quando chegarmos vou correndo dizer a Deus: Esse é meu pai!
 TRECHO DO LIVRO
Anna Carolina Basílio João
06/01/1991 a

25/12/2005

A estrela não apareceu na noite de natal, mas apareceu no dia 28/12/2016, e pela janela do meu quarto, às 4:50hs eu a vi no céu, brilhando!!

17 de dezembro de 2016

LIVRO - DEUS SALVE AS BONECAS

Esmeralda ficou viúva muito cedo e teve que encarar qualquer trabalho que aparecesse para sustentar a pequena Jessica que quando o pai faleceu só tinha dois anos de idade. Esmeralda nunca deixou faltar nada à sua filha e teve uma época que trabalhava em três empregos diferentes para poder sustentar sua filha e não deixar faltar nada em casa. Entretanto, quando Jessica completou cinco anos de idade, Esmeralda adoeceu. Teve problemas sérios de saúde e passou por grandes dificuldades financeiras, pois os parentes estavam muito distantes. Neste período recebeu ajuda de uma associação de moradores do bairro e da Igreja local, que cuidaram de Jessica enquanto Esmeralda ficou internada. Depois de dois anos Esmeralda se restabeleceu por completo e conheceu Firmino, um homem bom, que ajudava voluntariamente na igreja e na associação. Esmeralda e Jessica foram morar com Firmino e ficou feliz. Firmino gostava muito de Jessica e a tratava como se fosse sua filha, o que deixava Esmeralda satisfeita e ainda mais apaixonada por Firmino. O tempo passou e chegamos no dia em que Jessica completava treze anos. Esmeralda estava feliz, animada por poder proporcionar uma festa de aniversário à filha. Ela trabalhava duro para poder dar o melhor possível à filha, que pode convidar todos os seus amigos para a festa. No final todos ficaram satisfeitos e Jessica agradeceu a mãe e seu padrasto. Jessica, apesar dos treze anos, brincava de boneca, tinha corpo de mulher atraente, de olhos claros chamava atenção por onde passava, mas na essência e em sua inocência, era uma menina, uma boneca que dormia no colo da mãe, chupando o dedo. De uma hora para outra as dificuldades voltaram a fazer parte da vida de Esmeralda, que não tinha mais a mesma vitalidade para trabalhar e Firmino ficou desempregado. Firmino passou a ficar o dia todo em casa ou no bar, bebendo e afogando as mágoas enquanto Esmeralda ralada em dois empregos. Enquanto Jéssica estava na escola e a mãe no trabalho, Firmino ficava bebendo no bar e só voltava para casa justamente quando Jéssica voltava da escola. Jéssica tinha alertado a mãe que não se sentia confortável em ficar em casa sozinha com Firmino, justamente porque o pecou espiando-a no banheiro. Jéssica passou a ter medo de Firmino, que vivia bêbado e não tinha a menor vontade de procurar emprego.Esmeralda trabalhava o dia inteiro, chegava em casa no começo da noite e ainda tinha que preparar o jantar para o vagabundo que não ajudava em nada com os afazeres do lar. Além do mais, cansada, doente, tinha que atender aos desejos sexuais do canalha. Por não aguentarem mais a vagabundice de Firmino, Esmeralda e Jessica resolveram ir embora, o que acabou provocando a ira de Firmino que começou a agredi-las. Esmeralda se sentia presa, trabalhando feito louca e ainda tendo que sustentar os vícios de Firmino. Sua filha Jessica mudou radicalmente. Não queria voltar para casa principalmente sabendo que ficaria só com Firmino, mas não tinha outro jeito, além do medo e das ameaças que o pulha fazia. Jessica parecia que estava escondendo alguma coisa da mãe, que muito preocupada faltou ao trabalho para acompanhar a rotina da filha. Naquele dia Jessica foi e voltou para a escola sem nada acontecer e o canalha do marido passou o dia todo bebendo no bar, à custa de esmeralda. Jessica continuava estranha e chegava em casa no mesmo horário da mãe para não ficar sozinha com o padrasto. Depois das aulas, ficava na casa das amigas esperando dar o horário da mãe chegar. Mesmo assim, Esmeralda continuou desconfiada até que um dia percebeu que a filha estava com uma marca roxa no braço e na perna. Perguntou o que era e a filha lhe disse que foi numa brincadeira com os amigos na escola. Jessica relutava em contar a mãe os sentimentos que a faziam ficar tão diferente até que um dia Esmeralda resolveu examinar o corpo inteiro da menina, cheio de marcas, alguns cortes nos dedos, parecia que havia lutado com alguém, mas não dizia nada a mãe, apenas chorava quando era pressionada a dizer alguma coisa. Entretanto, os próprios "amigos" de Firmino estavam desconfiados dele. Achavam que ele estava aprontando alguma coisa, mas não tinham provas, apenas desconfianças. Nas vezes em que Firmino sabia que Esmeralda ficaria em casa, ele passava o dia inteiro no bar e, do contrário, voltava para casa assim que Jessica voltava da escola. Mas Firmino estava com os dias contados. No bar não tinha mais crédito e chegou até a ser agredido por não pagar a conta das bebidas que consumia. E lá veio Jessica, chegando da escola e passando pela calçada do lado oposto ao bar. Os amigos de Firmino perceberam quando a menina passou e o calhorda saiu de fininho, para que ninguém perceber. Jessica entrou em casa e logo apareceu Firmino, tentando agarra-la, beija-la, fazendo ameaças de que a mataria se contasse a sua mãe. Jessica lutava se desvencilhava do canalha do padrasto, por isso os arranhões e as manchas roxas pelo corpo. Naquele dia Jessica não conseguiu se trancar no banheiro como de costume e não teve força suficiente para conter o avanço do padrasto que tentou estupra-la mais uma vez. Aos gritos misturado a lágrimas, Jessica chamava por Deus e pela mãe, enquanto o padrasto tentava a força arrancar lhe as roupas. Jessica estava encurralada pelo canalha pedófilo e sem forças para conte-lo quando inesperadamente Firmino foi surpreendido pela polícia que invadiu a casa e o pegou em flagrante, tentou estuprar a enteada que ficou totalmente sem roupa. Firmino foi preso em flagrante de delito e quase foi linchado pelos vizinhos que a muito tempo desconfiavam dele e chamaram a polícia que chegou a tempo de salvar Jessica.
        - A mãe é doente então eu tinha que ficar com a menina - Disse o pedófilo canalha. O exame de corpo de delito feito na jovem menina comprovou que há algum tempo Firmino vinha tendo relações sexuais com a menina e perguntada sobre porque não o denunciou, disse que tinha medo, pois o pedófilo ameaçou matar a ela e a mãe caso Jessica contasse alguma coisa. Firmino foi levado para a penitenciária para aguardar julgamento, enquanto Esmeralda e Jessica tinham mais um problema para enfrentar: Os exames apontaram que Jessica estava grávida... Uma gravidez indesejável e de alto risco, pois Jessica passou a ter vários problemas tendo que ser internada várias vezes, até que num dia acabou tendo um aborto espontâneo. Firmino foi condenado a doze anos de reclusão em regime fechado. Depois de quatro anos saiu da cadeira e logo se envolveu numa briga porque tentou abusar de uma menina de doze anos e foi novamente preso, depois de levar uma surra a pauladas de um grupo de pessoas que veio em socorro à menina. Mais tarde não teve a mesma sorte e acabou morto na cadeira por um grupo de presos que diziam que pedófilo e estuprador tinham que morrer. Esmeralda e Jessica continuaram suas vidas, com todas as dificuldades, mais em fim livres de Firmino. Carregaram em suas vidas um trauma que dificilmente será apagado, esquecido de suas memórias, principalmente de Jessica, a boneca salva por Deus!
TRECHO DO LIVRO

LIVRO - PRECES

PRECE PARA AFASTAR UMA MÁGOA


    Eu te perdoo por se afastar no momento em que eu mais precisei de você. Fico feliz por você estar bem e tem tido a oportunidade de realizar seus sonhos. Não lhe culpo por nada e nem seria digno de minha parte achar que você tenha que retribuir tudo o que fiz pra você. Nós crescemos juntos, mas hoje temos famílias distintas, causadas pela distância e pela falta de uma convivência mais afetiva de ambas as partes. Eu te perdoo e não vou carregar nenhuma mágoa, pois tenho você em meu coração. Temos princípios diferentes, pensamentos diferentes, mas o mais importante é o amor que eu sinto por você e você sente por mim, para que possamos ter a felicidade de saber que podemos receber carinho e afeto. Você sempre estará em minhas preces e a cada vez que vejo uma imagem sua vestida de felicidade, lembro-me dos tempos difíceis que você passou e agradeço a Deus por você nunca ter desistido e superado todas as barreiras que surgiram à sua frente. A minha forma de rezar é diferente da sua, mas não faz mal, nós amamos o mesmo Deus Pai Todo Poderoso e isso que importa, pois as nossas religiões traduzem o tamanho da nossa fé. Fique com Deus. Que Ele te proteja e você consiga realizar todos os seus sonhos. Ficarei à distância, torcendo, vibrando para que sua vida seja repleta de felicidade, pois você merece ser, por ser base para construção de uma amável família. Amém!
TRECHO DO LIVRO

5 de dezembro de 2016

LIVRO - ORAÇÕES

ORAÇÃO DA PERSEVERANÇA
A estrada a percorrer atravessa pelo mar, é estreita, cheia de pedras, obstáculos, buracos e plantas murchas. Mesmo assim, caminho na direção certa e sei que se eu cair Ele virá para me dar a mão. Posso cair tantas vezes forem e quando eu não tiver mais forças Ele virá e me carregará até eu recuperar a minha energia, pois não vou desistir enquanto saber que Ele guia meu caminhar. Nem mesmo no sombrio vale da morte eu vou me desesperar, pois Ele estará sempre comigo. O Teu cajado me conduz e os fantasmas vão se afastar. Sou um pecador e peço misericórdia e perdão se não fui um justo com alguém. Faça sol ou faça chuva, mesmo na estrada barrenta e esburacada, vou prosseguir até encontrar o meu lugar. A luz no fim do túnel parece próxima, mas existem várias barreiras até eu chegar. E se eu não chegar, mandarei em garrafas pelo mar notícias minhas, para quem puder me encontrar, quem puder me perdoar. A tempestade na estrada estreita é muito forte e minhas pernas não tem mais ossos para se sustentarem e assim eu clamarei setenta vezes sete para que meu Mestre possa vir e soprar carne nos meus ossos mutilados e que eu possa me movimentar mesmo sendo levado pelas correntes a ponto de me afogar. Eu não tenho medo, eu tenho perseverança e caso eu me afogue Jesus Cristo virá me buscar. Ele andará sobre as águas... Andará comigo sobre o mar... Que assim seja! Amém!
Antonio Auggusto João 


28 de novembro de 2016

LIVRO - AMAI OS VOSSOS INIMIGOS

EU ESCOLHI AMAR VOCÊ

Armando sempre foi um sujeito pacato e muito sério, tanto no trabalho como em sua vida pessoal. Na empresa onde trabalhava conheceu Wanda, sete anos mais jovem do que ele. Armando era assediado por várias garotas em seu trabalho, mas sempre muito discreto, não deixava brechas para que viessem fofocas a seu respeito no corredor da empresa onde trabalhava. Wanda ainda era uma menina que acabara de completar dezoito anos e estava no seu primeiro emprego. Armando, mais maduro, exercia cargo de confiança na empresa, estava formado em administração de empresas e fazia vários cursos de aperfeiçoamento. Armando sabia o que queria: conhecer uma mulher que amasse, que juntos pudessem fazer planos para que num futuro próximo formar uma família, e viver para os filhos. Wanda via em Armando um porto seguro e logo que começaram a namorar fazia planos para o casamento. Apesar da diferença de personalidade, Armando se apaixonou loucamente por Wanda. Armando era tipo o último romântico, aquele à moda antiga, que manda flores, não esquece as datas comemorativas do casal, fazia poesias e declarações de amor... Estava perdidamente apaixonado por Wanda: Quando descobrimos o sentimento da paixão, ficamos bobos, com os pés fora do chão. Indubitavelmente, a pessoa apaixonada não consegue mais viver sem o grande amor. É como se faltasse o ar para respirar, como se o mundo estivesse em volta de quem se ama, como se existisse um só corpo e dois corações. Isso é muito perigoso, pois quem ama dessa maneira, perde a razão, ou a única razão de viver é estar com quem se ama. Competente e apaixonado Armando ficou. Talvez tenha que ter tido mais cuidado, mas o primeiro amor vem como se fosse uma doença que se cura com um só remédio, o remédio de estar ao lado de quem se ama, não podendo existir distância que possa separar o casal. Armando era tão discreto que demorou para os colegas de trabalho descobrir que ele e Wanda tinham um caso sério. Apenas os amigos mais íntimos sabiam, quando tudo ficou mais claro no dia da festa em comemoração ao aniversário da empresa. Armando sempre sério, num terno cinza, chegou à festa acompanhado, de mãos dadas a Wanda. Wanda estava linda num vestido negro transparente... Disse a uma amiga que tinha passado três horas no cabeleireiro e nem veio trabalhar no dia da festa. Tímido, Armando tentou desgrudar da mão de Wanda na entrada da festa, mas ela, decidida, não largou da mão de Armando - grudou como se fosse cola. Ao entrarem no salão, já estava tudo combinado antecipadamente para tocaram a música que marcava o romance do casal, e assim foi feito. Não teve outro jeito, Armando assumiu o namoro com Wanda ali, na frente de todo mundo e ainda ganharam presentes e chuva de arroz, além dos comprimentos de todos da empresa. Depois da festa, Armando e Wanda tiveram um ensaio de lua de mel e tudo aquilo fez com que Armando ficasse mais apaixonado, e Wanda também. Wanda se deslumbrou por Armando... A partir daquele dia o casal iria passar por uma prova de relacionamento: Armando e Wanda passariam a maior parte do tempo na empresa. Trabalhavam no mesmo setor e de onde Wanda se sentava, podia ver todos os movimentos de Armando, e vice e versa. Aos finais de semana, quando Armando não ficava na casa de Wanda, era Wanda quem ficava na casa de Armando. De certo que todo casal tem lá suas brigas e isso não era diferente com Armando e Wanda, mas, nas reconciliações, o amor voltava feito ventania, varrendo todas as mágoas que pudessem existir, e os beijos e abraços eram como fogo a queimar no peito, feito uma paixão ardente, cheia de desejos e sedução. Depois de um ano de namoro, Wanda começou a cobrar a data de casamento. Armando sempre adiava a data, pois cauteloso e planejador, dizia a Wanda que antes precisavam se planejar, ter um lugar para morar e comprar todos os móveis. Num determinado dia de domingo, Armando estava num cruzamento e foi lhe entregue um folheto, uma propaganda sobre venda de apartamentos. Armando pegou o folheto, pois se interessou. Chegando em casa ligou para o corretor do empreendimento e viu que a compra daquele imóvel está dentro das condições financeiras que possuía. Faria um enorme sacrifício, mas acreditava que pudesse arriscar. Pediu a opinião de seus pais que lhe disseram: - Meu filho, só se consegue alguma coisa na vida quem arrisca! Tenha fé que vai dar tudo certo! O incentivo que precisava, Armando obteve de seus pais. Inicialmente não comentou nada com Wanda, pois queria fazer uma surpresa. No dia seguinte Armando saiu mais cedo do trabalho, disse a Wanda que iria ao dentista e foi até o endereço do imóvel. Ficou encantado! Além do mais obteve ainda uma grande vantagem que reduziu o valor das prestações que teria que pagar. Feito isso, antes de assinar o contrato, levou Wanda para conhecer o apartamento. Wanda ficou encantada! Então, não restou mais nenhuma dúvida é imóvel foi adquirido. Armando ficou alguns meses sem disponibilidades financeiras: Vendeu o carro e fez um empréstimo bancário. Depois de um ano, Armando tinha se restabelecido financeiramente e então passou a comprar os móveis, pouco a pouco, guardando na casa de seus pais. Enquanto isso, enquanto Armando estava se planejando, Wanda cobrava insistentemente a data do casamento, até que Armando concordou em marcar para dali a seis meses. Armando sabia o que dizia e o que queria, pois tudo em sua vida sempre foi planejado e convenceu Wanda com a data escolhida, pois ela também teria seus compromissos como, por exemplo, fazer o vestido de noiva, montar o enxoval etc. O tempo passou e chegou a tão sonhada data do casamento. Casaram-se no civil e depois de uma semana, na igreja. O apartamento ficou montado e mobiliado. A lua de mel foi de apenas uma semana, mas valeu a pena. O casal estava feliz e apaixonado. Após o casamento, Armando continuou como o último romântico: Sempre trazia flores para Wanda, enchia-a de mimos e carinhos. Logo que se casaram, Wanda perdeu o emprego. Armando segurou a barra por um bom tempo e depois ele mesmo conseguiu arrumar um emprego para Wanda. Wanda, com vinte e dois anos, ainda pensava como uma menina. Teve uma infância difícil morando no interior. Seus pais não lhe deram a liberdade para aproveitar a infância e adolescência, pois todos na família tiveram que começar cedo no trabalho para subsistirem. No novo emprego, Wanda convivia com pessoas de sua idade e também de idade inferior, numa cidade grande, cheia de atrativos, baladas, festas... Até que se perdeu. Armando, diferentemente de Wanda, pensava num futuro prospero: Foi promovido a cargo de diretor na empresa, quitou seu apartamento e comprou outro imóvel. Vivia muito bem e o intuito de fazer com que Wanda trabalhasse foi para que ela também tivesse objetivos na vida, o que não aconteceu. Wanda se perdeu. Transformou-se numa pessoa da qual Armando não reconheceria mais. Com isso vieram as brigas. Armando reconsiderou muita coisa, fez vistas grossas para outras... Tudo porque amava demais. Mas quando acabou a cumplicidade, também acabou o respeito, e isso foi grave demais. Certa vez Armando chegou em casa estafado, vindo do trabalho e encontrou algumas pessoas em sua casa, amigos de Wanda. Armando nunca tinha visto aquelas pessoas e nunca Wanda comentou a respeito delas. Armando se recolheu no quarto enquanto Wanda e os amigos ficaram na sala, ouvindo músicas e conversando em voz alta. Depois de um tempo, Armando recebeu uma ligação anônima. Alguém lhe dizia para tomar cuidado, pois existiam pessoas que incultaram na cabeça de Wanda que Armando era um empecilho em sua vida. Armando não deu importância, mas a partir dali passou a planejar... O amor que tinha por Wanda não era mais o mesmo e a separação seria inevitável. Wanda passou a sair de casa e voltar dois, três dias depois. Dizia que estava na casa dos pais, que tinha saudades, mas Armando descobriu a mentira. Foi então que a separação foi consumada. Armando deixou o apartamento para Wanda e foi morar na casa que tinha comprado. Wanda fez questão de homologar o divórcio na justiça e assim foi feito. Foi muito difícil para Armando esquecer seu grande amor, mas as atitudes tempestivas de Wanda assim o fizeram. Armando continuou trabalhando na mesma empresa enquanto Wanda empregou todo dinheiro que tinha numa sociedade, tendo como sócios os mesmos “amigos” que um dia disseram que Armando era um empecilho na vida dela. O tempo passou. Armando parecia ter superado todo o acontecimento e não teve mais notícias de Wanda. O único sabor que Armando tirou de tudo que aconteceu foi que o casal não teve filhos e todo desamor ficou apenas com ele. Mas a vida dá voltas e existem vários provérbios e ditados que dizem isso é devemos estar sempre preparados para poder decidir nossas atitudes no momento exato em que estamos diante de uma causa, uma consequência: Naquela tarde, Armando estava descansando na varanda de sua casa. Estava pensando sobre as escolhas e as decisões que havia tomado em sua vida até então. Difícil é encontrar um final feliz, pois a felicidade quando é plena e verdadeira, advém de uma dor. Armando não estava esperando por ninguém em sua casa é quando o interfone tocou, achou que foi por engano, mas a outra voz, do outro lado da linha, queria muito falar com ele.
- Eu Preciso falar com você. Pode me atender?
Eu bem sabia de quem era a voz do outro lado da linha, mas não queria acreditar. Logo pensei em discussões, novas brigas, ofensas... Fazia quase dois anos que eu não a via. Estava bem mais magra, com olheiras profundas e cor pálida: Estava acabada. Pensei que de certo vinha conversar sobre algo que ainda tínhamos em comum, mas poderia ter me telefonado. Aí é que vem a retórica, a oportunidade de dizer a coisa certa. Também vem a vingança, oportunidade de regressar, de reverter o prejuízo da última briga, mas Armando era capaz de amar o mais ferrenho inimigo, pois aprendeu com a vida e talvez seja por isso que sofria com isso. De certo que Armando não disse que tinha prazer em revê-la, porém, ouviu pacientemente a sua queixa. Realmente Wanda estava precisando de ajuda e se procurou Armando, foi porque teve várias portas fechadas e aqueles que se diziam seus amigos e foram contra Armando, a deixaram na mão, botaram-na na rua, cheia de dívidas, sozinha na contra mão da vida.
- Sua situação é muito delicada.
Fazia tempo que não nos olhávamos. Pude ver a mulher que conheci sem os vícios mundanos, sem o orgulho de quem não conquistou nada e vivia pisando nas pessoas, com atitudes infantis. Longe de Armando ser o filho preferido de Deus, pois também tinha seus pecados e uma hora iria receber seu perdão. A vida inteira teve o coração mole e diante dele existia uma pessoa pedindo ajuda, uma pessoa por quem um dia foi perdidamente apaixonado. É claro que Armando não negou ajuda a Wanda e nem virou às costas. Não bateu a porta à sua frente e nem lhe devolveu as rosas sem cheiro que um dia colheu no jardim. Foi difícil a resolução do problema que Wanda veio se queixar e pedir ajuda de Armando. Dispôs-se a ajudar sem piedade, sem desejar nada em troca... Ajudou porque o seu espírito sempre foi fraterno, bondoso, misericordioso e caridoso. Depois, Armando nunca mais viu Wanda. Não se importou de não ouvir pelo menos obrigado na despedida. Ficou a refletir novamente sobre as escolhas que fez em sua vida, mas não se arrependeu, pois enquanto Wanda foi o amor que sempre sonhou, Armando teve como saber o que foi ser feliz. 
Se pudesse, voltaria no tempo para corrigir um só momento de minha vida: Quando amei demais. Amar demais pode ter sido minha maior doença. Mata-nos aos poucos, pelas beiradas da alma, pelos cantos da razão, no meio do coração - Como um tiro no peito: Infarto agudo da alma. Se tivesse sido um super herói, teria dado várias voltas ao redor da terra... Não para ressuscitar o passado, nem para salvar a mulher que tanto amei... Mas para trazer de volta as cores que deixaram de habitar os meus jardins, de matos cinza, terras negras, [rastros sem saída]... De plantas murchas e rosas sem cheiro.
TRECHO DO LIVRO

26 de novembro de 2016

LIVRO - PARA AUDREY, COM AMOR!



PARA AUDREY, COM AMOR



    Os preparativos para a festa de formatura estavam avançados e os alunos ansiosos, sentimentais nas conversas e nas reuniões de despedida.  Muitos mudariam de cidade em busca de uma colocação profissional e outros, como Jonathan, atravessaria o oceano para estudar, se aperfeiçoar num intercâmbio graças à bolsa de estudos que ganhou classificado como um dos melhores alunos da universidade federal. Jonathan estava muito feliz pela oportunidade de estudar, ainda mais sabendo que depois de dois anos voltaria com a garantia de um excelente emprego numa empresa multinacional. Entretanto, não escondia sua preocupação com Audrey, que prometeu esperá-lo para se casarem. Audrey estava em tratamento de uma doença rara, que prejudicava sua coordenação motora, cujos médicos ainda não tinham um diagnóstico preciso. Assim sendo, preferiu adiar seu intercâmbio e Jonathan iria sozinho. Mas, o mais importante naquele momento foi o baile de formatura, comandado pela orquestra municipal, alunos formandos e seus familiares estavam felizes e se confraternizando pelo diploma e pelo objetivo conquistado. Um a um, os casais de alunos eram anunciados pelo mestre de cerimônias e sob palmas e vivas passavam por um corredor para receber os comprimentos em meio aos flashes que registravam todos os momentos da festa, para ficarem guardados para sempre. Quando Jonathan segurou na mão de Audrey ao serem anunciados, sentiu a emoção da despedida.

    - Atenção formandos para a hora da valsa!

    O mestre de cerimônias anunciava o momento da valsa. A primeira seria com o pai ou mãe, depois padrinhos e a terceira seria para os casais enamorados. A hora da despedida estava chegando e todos estavam emocionados e talvez tenha sido por isso que Jonathan não tinha dado importância ao fato de que Audrey estava tremendo, quando segurou em sua mão para dançarem. Durante a valsa os olhos de Jonathan e Audrey ficaram perdidos, filmando todos os detalhes que fariam parte de uma saudade breve e ansiedade pelo regresso que um dia iria chegar. Os olhos de Audrey se fixaram nos olhos de Jonathan, que se preocupou quando sentiu todo peso de Audrey em seus braços. A música entoava uma harmonia agradável e romântica que os olhos de Audrey abriam e fechavam, contemplando um largo sorriso adocicado em seus lábios de mel.

    - Você está se sentindo bem?

    Bastou Jonathan questionar Audrey que ela caiu, literalmente, em seus braços. Parecia desmaiada. A música parou e todos se assustaram com a cena. Audrey ficou sem movimentos e desacordada. Logo a levaram para longe dali e a orquestra voltou a tocar para que não deixasse um ar de preocupação ainda maior entre as pessoas. Uma ambulância logo chegou e levou Audrey para um hospital.  Chegando, foi removida imediatamente para uma UTI, tendo Jonathan sempre ao seu lado. Das crises, aquela havia sido a mais preocupante, a que deixou os pais de Audrey e Jonathan mais preocupados. Quatro dias se passaram e Audrey não demonstrava nenhuma reação.  Enquanto aquilo acontecia, os médicos repetiam as baterias de exames, mas sem chegarem a um diagnóstico preciso e concreto. Todos ficaram preocupados e Jonathan posicionou a todos que adiaria a viagem. Não teria condições psicológicas para viajar para o outro lado do mundo e deixar Audrey naquele estado. Depois de quinze dias Audrey acordou. Ficou consciente, reconheceu a todos e ficou preocupada por não ter visto Jonathan ao seu lado. Jonathan ficou muito cansado, passou dias e noites no hospital ao lado da mulher amada e tinha ido para casa, tomar banho, trocar de roupa para voltar novamente ao hospital e ficar ao lado de Audrey. Ao vê-la consciente novamente, disse a ela que nada era mais importante que sua saúde e que havia tomado uma importante decisão:

    - Audrey, não vou mais viajar. Não posso ficar longe de você e não vou me dar bem do outro lado do mundo sabendo que você não está bem aqui.

    Por mais que Jonathan tenha relutado em ficar, foi convencido pelos familiares e pela própria Audrey a ir embora em busca do seu sonho de realização profissional:

   - Ficarei bem meu amor. Ficarei te esperando até sua volta. Vá e realize seu sonho. Disse Audrey na despedida. Jonathan partiu preocupado e com lágrimas nos olhos. Audrey teve uma razoável melhora, mas sua doença ainda era um mistério para os médicos. Algum tempo se passou e Audrey começou a lecionar numa escola particular de línguas. Conversava com Jonathan no máximo duas vezes por semana. Jonathan por sua vez, tinha uma vida atribulada de estudos e estágios e pouco tempo de lazer. Quando sobrava algum tempo tinha que descansar para poder enfrentar a maratona pesada de trabalhos e estudos, mas estava satisfeito, porém com muita saudade da família e principalmente de Audrey. Quando existe a saudade no coração, o tempo é cruel e custa a passar. Nos momentos em que ficava só e isolado, Jonathan recordava com amor dos momentos felizes que passava com Audrey, mas ficou mais despreocupado, pois houve uma boa melhora na saúde da mulher que tanto amava. Perto de completar um ano distante de Audrey, Jonathan ligou para dar uma excelente notícia: Passaria o natal com ela e toda família graças a uma semana de férias antes de iniciar seu ultimo ano de intercâmbio. Audrey não se coube de tanta alegria e não via a hora de chegar o dia de reencontrar seu grande amor. Quando Jonathan chegou, a casa estava toda harmoniosa, com enfeites natalinos e ao ver Audrey à distância, correu até que pudessem se abraçar: Jonathan e Audrey se abraçaram e se beijaram no reencontro e não quiseram perder um só minuto para ficarem juntos e aproveitarem o pouco tempo que teriam antes de Jonathan retornar aos estudos. Muitos planos estavam fazendo para depois do último ano em que Jonathan concluiria seu intercâmbio e voltaria de vez para uma vida nova junto de Audrey. Assim, as festas de natal passaram depressa e Jonathan teria de retornar. Audrey lhe fez um pedido antes de partir:
    - Quando se aproximar a data do seu retorno, plante uma flor, espere ela brotar e traga-a para mim num pequeno vaso.

    Jonathan disse que atenderia o pedido de Audrey, sem mesmo perguntar o porquê e partiu.Passado um tempo Jonathan recebeu a notícia de que Audrey havia tido novas crises e que tinha ficado internada. Jonathan se desesperou, ameaçou largar tudo é vir ao socorro dela, mas foi convencido a ficar. Jonathan ficou desconfiado de que estavam lhe escondendo algo sobre a saúde de Audrey e isso fez com que começasse a ter níveis mais baixos de avaliação onde fazia estágio e estudava. Novas crises apareceram e Jonathan sentia que algo grave estava ocorrendo com Audrey.

    - Os médicos descobriram a doença e ela está internada e sendo tratada.

      - Eu quero falar com ela!

    - Quando for o momento e os médicos assim permitir você falará com ela!

    E quando chegou o momento em que Jonathan conseguiu falar com Audrey, sentiu que estava dispersa, falando coisas sem sentido, mas lembrou-se da flor e pediu que Jonathan não esquecesse de trazê-la. Finalmente chegou o dia de Jonathan regressar, de reunir os dois lados. Em sua bagagem o sucesso de um intercâmbio perfeito, emprego garantido e possibilidade de concretizar todos os planos que fez, ao lado de Audrey. Seu pensamento positivo fazia com que ele imaginasse encontrar Audrey bem, curada de sua enfermidade e feliz, correndo para abraçar e beija-lo, matando a saudade de seu grande amor. Jonathan segurava a flor amarela com o maior cuidado, como se fosse um prêmio, um troféu, um objeto de devoção. Lembrou-se que poderia escrever um cartão para colocá-lo junto com a flor, e assim o fez:
    - Por favor, quero comprar um cartão de presente!

    - Sim senhor! Pode escolher entre esses!

    - Eu gostei deste!

    - O senhor vai escrever alguma coisa?

    - Sim. Escreva por favor: Para Audrey, com amor!

    O voo que trouxe Jonathan de volta teve vários atrasos, várias conexões e o tempo que ficou incomunicável foi de quase três dias. Ao chegar, estranhou que ninguém estava lhe esperando no aeroporto. Pegou um táxi e seguiu para casa. No caminho sentiu um calafrio, suas mãos ficaram geladas, assustou como se um vulto tivesse passado à sua frente e segurou com mais cuidado a flor amarela que carregava. Chegando em casa não tinha ninguém de seus familiares e dos familiares de Audrey lhe esperando. Chegou a chamar por eles, mas ninguém respondeu. A casa estava vazia, nem os cachorros estavam latindo como de costume, até que apareceu um senhor de quem Jonathan não conhecia e que lhe entregou um bilhete com um endereço, onde alguém pedia que fosse imediatamente até o local assim que chegasse:

    - Meu amigo, vá depressa antes que seja tarde! Disse o desconhecido.

    Jonathan se desesperou, mas continuou segurando com todo o cuidado a flor que Audrey lhe pediu. O táxi demorou a chegar aumentando ainda mais a ansiedade de Jonathan que depois, questionado pelo motorista do porque estava chorando, disse-lhe que estava com a sensação de ter perdido um pedaço de seu coração e de sua alma. E ao chegar no local determinado no bilhete, Jonathan adentrou ao recinto. Ouviu choros e gemidos. Não quis olhar no rosto de ninguém antes de ver Audrey. Jonathan estava sereno, como se estivesse sendo guiado por uma força suprema, divina, como se estivesse sendo emanado por um raio de luz. Jonathan sabia onde estava e porque estava naquele local, só não quis acreditar. Um local obscuro, triste, com cheiro forte de parafina de tantas velas que estavam sendo queimadas, misturando-se com o forte perfume de flores de todas as espécies e cores. Nas laterais de paredes geladas, ficavam os vultos de seus familiares e amigos. No centro um caixão branco, "enfeitado" com flores coloridas, e dentro dele estava Audrey, de olhos fechados, sem expressão ou marcas de sofrimento. Encostado ao caixão existiam várias coroas de flores e faixas com a palavra "saudade". Jonathan entrou bem devagar com a flor em suas mãos e avançou até o caixão sem dizer nada a ninguém e ninguém o interpelou. Jonathan colocou a pequena flor amarela bem perto do rosto de Audrey, deu-lhe um beijo na face e fez o sinal da cruz. Do bolso, tirou um lenço branco para enxugar suas lágrimas e um cartão, onde estava escrito "Para Audrey, com Amor!
TRECHO DO LIVRO

2 de novembro de 2016

LIVRO - DÉJÀ VU

DÉJÀ VU
O barulho da chuva era como se fosse uma canção de ninar. Até o estrondo dos trovões era suave e deixava mais aconchegante o abraço na mulher amada, feito conchinha, com seus longos cabelos negros embaraçados na minha alma. Uma noite tranquila, onde os murmúrios eram prenúncio de carinho e amor sem fim, mordendo aquela pele morena e os lábios com gosto de mel. No rádio da cabeceira da cama estava tocando a mesma música do primeiro baile, quando nos conhecemos e trememos quando dançamos. No teto do quarto estava caindo pétalas de rosas vermelhas, tão macias quando a pele da mulher de olhos de ébano que dormia debruçada em meu peito. A madrugada foi serena, calma e branda como o cessar da chuva, trazendo o nascer do dia com o sol brilhando e iluminando o quarto ainda com marcas de amor. 
A casa toda ficou tomada e perfumada com o aroma do café que vinha da parte baixa, na cozinha, onde minha mãe preparava cuidadosamente o café da manhã, enquanto meu pai, ansioso, aguardava a primeira xícara, como sempre fez. Em suas mãos o jornal do dia, onde ele lia e criticava as questões políticas e as notícias de seu time de futebol!
- Ei filho! Vem ver o sol!
Para meu pai o sol era a prova da vida, de que Deus existia e ele o glorificava todas as manhãs para agradecer pela vida, pela oportunidade de abraçar e beijar minha mãe novamente e todos a quem ele sempre amou. 
Na sala de estar, sobre a mesa de jantar, ficavam as rosas que meu pai colhia no jardim, ainda molhadas pelo orvalho da madrugada e sem espinhos, pois a nossas vidas de luz não podiam ter espinhos, pois as sementes lançadas no chão fértil sempre produziram frutos com amor, paz, serenidade, bondade e caridade, como ensinou o Semeador. Os animais corriam de um lado para outro numa felicidade incrível e os passarinhos cantavam alegremente como se estivessem declamando versos emanados pela natureza que Deus criou. 
- Bênção pai, sua bênção minha mãe querida! 
O Semeador me ensinou a cultivar a terra, não deixar o amor crescer entre pedras e espinhos e dar valor às coisas que as vezes parecem simples, corriqueiras, mas sentiremos falta, se o tempo passar depressa demais e não nos desfrutarmos de cada momento onde o amor fica cravado em nossas almas e estampa o brilho em nosso olhar. Os olhos são espelhos da alma. 
- Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque Tu vai estar sempre comigo.
Sobre a proteção dos meus pais eu me via correndo de uma seringueira até o pé de bananeira, para balançar pra lá e pra cá enquanto meu pai empurrava o balanço e se preocupava para eu não cair. Na hora do almoço eu corria até a horta ao lado da minha mãe para ajudá-la a colher as folhas para o almoço. 
Eu sinto o cheiro dos almoços todos os dias da minha vida. O bife temperado com pimenta do reino e cebolas fritas, o gosto de bacon no feijão, na panela de pressão, e do gosto de alho no arroz branco como a neve. 
E ao descansar, após o almoço, vejo o filme com meu pai que se confunde comigo, tirando um cochilo no sofá da sala, recompensado, e minha mãe tirando a mesa e cantando sua música preferida, a mesma que sempre choro ao recordar.
Mas e o amor? As pétalas de rosas... A música predileta?
Quanto ao amor, o amor sentimentalidade, vivo ainda procurando-o no passado, sem o encontrar. Os jantares à luz de velas, as juras de amor e os abraços ficaram perdidos no tempo, nos devaneios, nas alucinações e desilusões. Ainda bem que dei valor a todos os detalhes, não gravei os momentos no álbum de fotografias, mas sim na minha memória, forte, tão viva, revivida ao recordar com amor e saudade meu pai e minha mãe... Vê-los a todo o momento como um Déjà Vu. 
A chuva caiu novamente, em várias noites, em vários dias, em vários momentos da minha vida. O quarto sempre esteve escuro, a música foi uma ideia da minha imaginação, assim como a chuva de pétalas de rosas que acabaram como enxurrada de desilusão em minha existência. A mulher, o amor da minha vida, nem sei se existiu ou se teve os cabelos longos, entrelaçados em minha alma e não tenho certeza que seus olhos eram mesmo de ébano. Acredito sim que o amor que sempre sonhei foi um lirismo poético, uma fantasia, uma alucinação de um amor que eu nunca tive.
TRECHO DO LIVRO

LIVRO - O SEMEADOR, AS SEMENTES E A TERRA

PARA TODO O SEMPRE
José e Maria estavam casados fazia sessenta anos. Não houve festa para comemorarem tamanho tempo de união e cumplicidade, pois os filhos e netos estavam distantes, alguns espalhados pelo mundo, que havia muito tempo que não se comunicavam com os pais. José e Maria não se preocupavam com isso. Religiosos, acreditavam que cumpriram suas missões com os filhos, bem criados, educados, todos formados, bem de vida e que apesar de esquecerem-se dos pais, isso não lhes parecia uma desilusão. José e Maria se conheceram quando tinham quinze anos e logo se apaixonaram. Naquela época era normal se casarem antes dos vinte anos, mas José e Maria esperaram completarem vinte anos e se casaram. Os filhos vieram numa sequência de um ano cada até chegar ao sexto. Quatro homens e duas mulheres. Planejaram o sétimo antes de fechar a fábrica, mas Maria teve um aborto espontâneo e perderam a criança. José e Maria sempre estiveram juntos, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença e o amor nunca se ausentou de suas vidas. José dizia que não suportaria viver sem Maria o confortava que um dia iriam morrer e um iria morrer antes do outro, mas que se encontrariam e viveriam felizes por toda a eternidade. José sempre falava em morte, o que não contentava Maria, que dizia a ele que a morte não existia e sim a vida plena, após encerrarem o ciclo desta vida. Maria dizia a Jose que o que chamavam de morte, na verdade era a vida eterna, onde não existiriam mais as dores e somente o amor imperaria. Todas as noites antes de dormir, José se despedia de Maria com um beijo, como se fosse o último, como se fosse a última vez que daria um beijo em sua eterna amada e dizia que sentia muito medo de fechar os olhos e não abri-los mais, mão ver o sol nascer na manhã seguinte.
Se eu morrer antes de você, faça-me um favor: Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam.
Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase: Foi meu verdadeiro amor, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus! Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal. Irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, o amor que aqui nos preparou para Ele. 
Você acredita nessas coisas? Então ore para que nós vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amar só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Mas, se eu morrer antes de você, acho que não vou estranhar o céu. Ser seu marido... Já é um pedaço dele...
Numa noite de inverno, antes de dormir, José estava impaciente. Tomou um chá bem quente, colocou a velha meia furada, mas que ainda esquentava seus pés e se deitou antes de Maria. Durante a noite José não se levantou nenhuma vez, não roncou, não pediu para Maria ir pegar água na cozinha e nem reclamou que a luz do abajur ficara acesa. Maria estranhou tudo aquilo, mas estava cansada e dormiu. Quando despertou estava amanhecendo o dia e como sempre se levantou para preparar o café para seu marido. Maria fazia questão, pois José se animava ao sentir o aroma do café espalhando pela casa. Porém, José continuou quieto e sem se mexer na cama. Estava muito frio, José estava bem enrolado nos cobertores e Maria não quis acordá-lo antes de preparar o café.
- Querido! Acorda! O café já está pronto e suas torradas também! Venha meu amor! Levante!
Maria cuidava de tudo com muito carinho e amor e ficava muito feliz ao ver o sorriso estampado no rosto do amado marido quando se sentava à mesa todas as manhãs para tomar o café. Mas algo estava errado. José não respondia aos pedidos carinhosos de sua esposa e então Maria resolveu chamá-lo se perto. Sento-se ao lado na cabeceira da cama, acariciou os cabelos brancos do marido e sussurrou em seu ouvido:
- Acorda meu amor!
José novamente não respondeu e Maria então o acariciando, colocou a mão em sua face e percebeu que José estava gelado. Também, estava muito frio - Pensou Maria. Os lábios de José estavam rachados e o corpo muito enrijecido, quando Maria segurou firme em seu pulso e colocou o ouvido no coração de José:
José estava morto.
- Meu Deus! Exclamou Maria. 
- Querido! Fale comigo! O café está à mesa e eu fiz tudo como você gosta! Não me deixe, por favor! Você me prometeu! Não me deixe!
Maria ameaçou entrar em desespero, mas respirou fundo e pensou em tudo que passaram juntos durantes sessenta anos de cumplicidade, amor, tristezas e alegrias e resolveu não chorar. É claro que algumas lágrimas escorreram, afinal é difícil aceitar a perda, a ausência e os sintomas da saudade.
Quando o resgate chegou para levar o corpo de José para o Instituto Médico Legal, alguns amigos ficaram para consolar Maria. Dos filhos, dois não puderam comparecer ao velório, pois estavam fora país, num local muito distante. Durante o velório Maria procurou não demonstrar tristeza. Dizia aos mais íntimos que a vida com José tinha sido muito mais de alegrias do que tristezas e que o amado marido não gostaria de vê-la triste, emburrada pelos cantos, sofrendo e depressiva. 
José dizia em vida que caso morresse antes da esposa querida, queria que ela lembrasse apenas das recordações em que foram felizes e que ela podia chorar um pouquinho por sua ausência e saudade... Só um pouquinho. 
Depois do sepultamento, Maria nem teve o privilégio de ser amparada pelos filhos presentes. Talvez as sementes não fossem bem cultivadas por eles, tornando-os frios, ausentes, que nem mesmo tiveram a iniciativa de amparar a mãe em uma de suas residências. Maria não se desesperou pela falta de carinho dos filhos e tomou uma decisão que abalou aos amigos mais íntimos: 
- Vou viver num asilo! 
Ao deixar a casa em que viveu por mais de quarenta anos ao lado do marido falecido, Maria não estava desanimada. Estava contente e animada, pois tinha muitos planos que poria em prática no asilo. Enquanto tudo estava sendo preparado para a mudança, Maria ainda teve o desprazer de ver os filhos brigando pela posse da casa, mas preferiu seguir sua vida, seus desejos e por que não dizer seus sonhos, apesar dos oitenta e sete anos de idade. Maria em sua nova jornada pensou em adubar mais a terra onde as suas sementes seriam lançadas, para não ter que ser perdoada pelo semeador por não cuidar bem da terra.
- Às vezes, mesmo tendo as melhores sementes, cuidando para não crescerem entre as pedras e os espinhos, os frutos podem se desvirtuarem se a terra não for bem cuidada ou se infestarem das pragas que estão sempre prontas a querer nos infestar.
Quando chegou ao asilo, Maria encontrou um ambiente sombrio. As pessoas passavam a maior parte do tempo deitadas ou sentadas, assistindo televisão. Para quem pensava que Maria fosse se “esconder” dentro do asilo, ser esquecida, ficar sentada o dia inteiro numa poltrona, com a boca escancarada, sem dentes e esperando a morte chegar, muito se enganaram:
Maria levou consigo livros, revistas, discos, e distribuiu para todos no asilo. Para os quais não tinham condições de ler, ela mesmo lia, para os deficientes visuais, ela contemplava a natureza, as cores e a vida com suas poesias, suas histórias de vida voltada para a alegria e contentamento. Montou uma equipe de velhinhos que construíram um jardim e plantaram flores e plantas coloridas, montou um grupo de oração.
Estava a todo o momento sorrindo, elevando o astral daqueles que estavam deprimidos e quando choravam era por tanta alegria. Depois de dez anos no asilo, Maria morreu. Neste tempo todo deu para contar na palma das duas mãos quantas vezes recebeu a visita de algum dos filhos. Mesmo assim, Maria não morreu triste. Morreu sorrindo como fora seu marido José, morreu dormindo, também como seu marido e o sorriso estampado em seu rosto como ultima fotografia na face da terra, provou que iria casar de novo, reencontrar o seu grande amor José e viverem felizes para toda a eternidade.
- Talvez, o que chamamos de morte nada mais pode ser do que a nossa melhor vida, a vida eterna!
TRECHO DO LIVRO